«Franco tem uma energia incrível e Vipotnik não é Gyokeres»
— Há um nome que tem chegado cá a Portugal porque até o comparam a Gyokeres, o Zan Vipotnik. Faz algum sentido a comparação? É um dos nomes que pode ser inegociável para a próxima época para esse subir mais um degrau?
— São jogadores de perfil diferente. Agora, como é óbvio, os dois com muito impacto nos golos. O Vipotnik é, atualmente, o melhor marcador da liga [21 golos em 41 jogos]. Tem uma facilidade e uma espontaneidade incrível de remate. A potência de remate é muito difícil de encontrar, seja fora da área ou dentro da área, pé esquerdo, cabeça, pé direito… É um ponto de lança bastante completo. Cresceu muito em oferecer também o lado mais defensivo à equipa, sem perda de espontaneidade, ou seja, conseguiu crescer no seu jogo e tornar-se muito mais pressionante, saber controlar muito mais, liderar muitas vezes a equipa naquilo que é a pressão ou a capacidade que nós temos para tentar ser dominantes também sem bola. Ele cresceu bastante nisso, sem perda de espontaneidade e de frescura em muitos momentos. Foi determinante para se manter ou para conseguir atingir o nível em que está. E só tenho boas palavras. É fantástico vê-lo a marcar e a marcar golos de diferentes formas todos eles. Estou mesmo muito satisfeito. Agora, é óbvio que estamos numa realidade em que vender é sempre importante. Isso acontece não só em Portugal, como também no Championship. Tu tens que estar sempre preparado para poderem existir propostas que justifiquem aceitar pelo clube. Agora, se me perguntares se é daqueles jogadores que teremos o direito de pedir uma boa quantia, isso eu não tenho dúvida nenhuma. É visível para todos que se trata de um jogador com valor de mercado alto, uma importância coletiva alta. Enquanto treinador provavelmente é daqueles que não desejaria perder no mercado, mas temos sempre que entender a realidade do lado financeiro e o lado de projeto daquilo que é o clube para também poder ter sustentabilidade financeira.
— E porque a venda pode ajudar-vos depois em termos de mercado, uma vez que ficam com dinheiro para atacar outro tipo de jogadores e soluções.
— É sempre o outro lado da moeda, não é? Não quer dizer que o faças, não quer dizer que tornes o plantel melhor, mas sem dúvida que te permite outro tipo de abordagem. Agora, continuo a dizer que em termos desportivos é sempre bom quando consegues manter o melhor marcador da liga.
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— Swansea City AFC (@SwansOfficial) April 13, 2026
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— A comparação com o Gyokeres vem um pouco daí, de vir de um Championship, no caso para o Sporting…
— Sim, sim.
— A dimensão física concluo que deve ser um bocadinho diferente, não é? Mas apesar de tu já teres falado aí que as reservas não vão abaixo quando é de meter o pé, portanto à partida, energia deve ter para aguentar tanto o processo ofensivo como defensivo, não é?
— Por esse lado. Sim. Mas diferentes, diferentes perfis.
— E o Gonçalo Franco tornou-se um elemento importante também e terá ajudado na vossa adaptação, não?
— Sim, o Gonçalo tem uma energia interminável.
— É o segundo melhor assistente da equipa, penso…
— Mais do que isso, está extremamente adaptado àquilo que é o Championship em termos de disponibilidade. Sabe lidar com o número de jogos, com o número de jogos em curto espaço de tempo e com a falta de treino, o que nem sempre é fácil. É uma das coisas mais difíceis para os jogadores, que é esta limitação de só recuperarem e não treinarem para se sentirem bem. E o Franco está completamente adaptado a isso. Mais do que isso, consegue fazê-lo com uma energia incrível. Muito pressionante e com uma entrega fantástica, é muito importante para nós. Ele foi o jogador do ano, no ano passado, para os adeptos, por isso é um dos jogadores mais amados dos nossos adeptos e sem dúvida que estou muito contente com ele e com aquilo que nos deu a nós, sobretudo aquilo que nos permite em termos defensivos e em termos de competitividade.
— No Liverpool, tiveste também o papel de fazer o intercâmbio, a comunicação entre os jovens e o plantel principal. Embora seja uma realidade diferente, vês que o Swansea também possa ir buscar recursos à formação para crescer enquanto equipa?
— Uma ideia que a experiência me tem dado, por já ter trabalhado em tantos contextos diferentes, é que há sempre talentos na formação. Às vezes, mais perto de estarem na primeira equipa, outras a poder chegar lá mais a médio prazo, mas há sempre talento. Tem muito que ver com aquilo que é, por um lado, o projeto do clube, e depois a tua visão enquanto treinador, se acreditas ou não naquilo que é a formação e o desenvolvimento. Aqui falando do meu contexto, que é o que posso falar, é muito importante para nós e faz parte e já fazia parte daquilo que era o clube. O olhar para a formação quando estruturas o plantel para a época seguinte… Nós nos últimos jogos fizemos alinhar o Sam Parker, um lateral de 19 anos que já tinha feito a estreia pela equipa principal em 2024, mas depois passou por muitas lesões, uma grave e agora voltou. Fez o primeiro jogo no Championship esta época há poucos dias e esteve bem, cresceu dentro do próprio jogo, que é muito importante, sobretudo para jogadores com esta idade. É um exemplo. A formação é e vai ser sempre algo pelo qual tenho muito carinho e que eu procuro sempre olhar, sobretudo numa fase inicial. Os jovens dão tanto às equipas principais em termos de energia quando treinam, em termos de vitalidade ao próprio grupo, que é algo importante e fará parte do projeto para o futuro e também do nosso plantel também para a próxima época.
— Josh Tymon será outro jogador importante, com nove assistências. É lateral-esquerdo e a influência dos laterais no ataque faz-me lembrar um clube que joga de vermelho ali para os lados de Merseyside…
— (risos) O Tymon é incrível em termos ofensivos e não só, também defensivos, já que a primeira preocupação tem de ser saber defender, não é? E ter os timings certos para atacar. Ele tem isso tudo. É um lateral que gosto muito, tem um cruzamento incrível e nas bolas paradas tem um serviço também incrível. Consegue atacar, voltar, aguentar a posição, ter diferentes. Consegue mais um por dentro nas zonas interiores, jogar mais alto, mais baixo. É um dos jogadores importantes, como é óbvio. Desde que cheguei, só não iniciou um jogo e entrou aos 60 minutos. A sua consistência é incrível. Ele e os dois centrais jogaram todos os jogos comigo, ou melhor, não houve um jogo que eu não os utilizasse.
— Portanto, é coincidência a influência dos laterais ou nem por isso?
— Não. Diferente, diferente… À direita, já tivemos diferentes jogadores. Tivemos um período em que sentia que era necessário estabilizar e construir, ou seja, termos mais um jogador na zona na zona interior e utilizei um médio a defesa direito na altura, o Ethan Galbraight, que é fantástico a construir. Ele já tinha jogado a defesa direito na época anterior, no clube em que estava [Leyton Orient], mas tem qualidade gigante como médio, sobretudo em zonas de construção. E nós precisávamos dessa estabilidade, precisávamos de ter um número maior de jogadores em zonas interiores para conseguir também dominar o jogo com bola, independentemente da estrutura do adversário. Ele deu-nos essa flexibilidade e, à esquerda, uma dinâmica um bocadinho diferente, em função também daquilo que era o perfil dos jogadores. Há também essa diferença entre um lado e o outro em termos de assistências.
— Mas é parecido, não é? O Trent Alexander-Arnold no lado direito a vir para o meio-campo e construir e o Robertson na esquerda a dar profundidade…
— (risos) Os dois com características diferentes… O Tymon é, sem dúvida, fantástico, sobretudo a servir. É um dos melhores da liga, se não o melhor…
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