Romário, campeão do Mundo em 1994
Romário, campeão do Mundo em 1994

«Nota 11 em 10. Considero-me um dos melhores jogadores de sempre»

Romário, campeão do mundo em 1994, colocou Portugal nos favoritos a vencer o Mundial 2026

Romário, campeão do mundo pelo Brasil em 1994, abordou a sua carreira, o momento atual da seleção brasileira e as expectativas para o Mundial 2026, não deixando de se colocar entre os melhores jogadores da história.

Atualmente a dividir o seu tempo entre a política e um projeto no YouTube, o antigo avançado explicou que o seu novo papel de entrevistador o tem ajudado a reviver a carreira. «É definitivamente uma forma de me reconectar com o meu passado. Parei de jogar em 2006. Este papel de entrevistador transporta-me de volta a momentos que vivi, especialmente quando entrevisto pessoas da minha geração», confessou, em entrevista ao The Guardian.

Fiel à sua personalidade, Romário não hesitou em posicionar-se no panteão do futebol mundial, afirmando que apenas alguns nomes atingiram um patamar semelhante ao seu. O antigo internacional brasileiro recordou ainda a sua conhecida aversão aos treinos, argumentando que o seu desempenho em campo justificava essa postura.

«O Romário era preguiçoso. O Romário não treinava da maneira que muita gente achava que eu deveria treinar. Mas eu marcava golos. Eu era uma força a ser reconhecida em campo, e que se dane o resto. Eles tinham de me aturar. Quem não gostasse, tinha que aguentar», afirmou.

Ao refletir sobre a sua era, Romário admitiu que as redes sociais teriam tido um grande impacto. «Teria gostado das redes sociais na minha geração. Tenho a certeza de que teria desejado isso na minha época. A Internet realmente mostra quem você é de verdade», afirmou, reconhecendo, no entanto, o outro lado da moeda: «As pessoas não sabiam das asneiras que eu fazia. Isso teria sido um pesadelo, mas faz parte da vida. Se as redes sociais existissem na minha época, eu provavelmente também não teria feito tanta porcaria. Mas as poucas coisas que eu fazia, as pessoas saberiam.»

Análise à seleção do Brasil e ao Mundial

No que toca à seleção brasileira, Romário mostrou-se crítico em relação ao rendimento dos jogadores convocados por Carlo Ancelotti. «O Brasil tem jogadores que se destacam nos seus clubes. Jogam muito bem na Premier League e em LaLiga. São ídolos nas suas equipas. Mas quando vestem a camisola da seleção brasileira, não conseguem render», lamentou.

Ainda assim, o antigo goleador acredita que, se os atletas atingirem um nível próximo do que apresentam nos clubes, o Brasil terá hipóteses de vencer o Mundial. «Espero que isso tenha ficado para trás e que eles consigam jogar pelo menos a 80% do nível que mostram nos seus clubes. Se conseguirem isso, o Brasil terá chances de conquistar o título», acrescentou.

Para a corrida ao título mundial, Romário coloca o Brasil no lote de candidatos, mas aponta outras seleções como favoritas. «Os meus favoritos são França, Espanha, Portugal, Argentina, Alemanha e Brasil», declarou, elogiando ainda jogadores como Harry Kane, Bellingham e Saka, que considera «inteligentes, com ótima técnica, que fazem a diferença».

O campeão de 1994 traçou também um paralelo com o momento vivido pelo país antes dessa conquista, sugerindo que uma nova vitória no Mundial poderia unir a nação: «Estamos numa situação muito parecida com a de 1994. Há muitas notícias negativas em todo o país. Digo isto por experiência própria, porque vivi isso: uma vitória do Brasil traria alívio e alegria ao nosso povo que está a sofrer.»

Por fim, Romário deixou elogios a Pep Guardiola, seu antigo colega no Barcelona, destacando a sua inteligência invulgar: «O Pep sempre foi um homem com um tipo de inteligência muito diferente para um jogador. Ele levou isso para a sua carreira como treinador e é por isso que ele é o melhor.»

Fiel ao seu estilo, Romário terminou uma entrevista com a autoconfiança que sempre o caracterizou. Questionado sobre como alcançou tanto sucesso, apesar de desafiar muitas das normas do futebol profissional, o antigo jogador respondeu de forma descontraída, colocando-se no panteão dos maiores da história.

«Nota 11 em 10. Considero-me um dos melhores jogadores de sempre. Pelé, Maradona, Messi, Cristiano Ronaldo, Ronaldo e eu», rematou.

A iniciar sessão com Google...