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Queixa oficial aprofundada entregue no COI contra Infantino
Como tinha anunciado há dias, a organização não governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos FairSquare formalizou uma queixa contra Gianni Infantino junto da comissão de ética do Comité Olímpico Internacional (COI). A ONG alega que o presidente da FIFA violou repetidamente as regras de neutralidade política do organismo ao manifestar apoio a Donald Trump.
A FairSquare alega que Infantino, que se tornou membro do COI em 2020, violou repetidamente a Carta Olímpica e o Código de Ética do COI, mais recentemente pela sua conduta no caso Folarin Balogun. O avançado americano teve a sua suspensão de um jogo, devido a um cartão vermelho no jogo contra a Bósnia e Herzegovina nos oitavos de final do Mundial, anulada com um ano de pena suspensa.
Este incidente foi precedido por um telefonema entre Trump e Infantino, tendo o presidente americano, entretanto, afirmado que de facto propôs a anulação da suspensão. A decisão crucial neste assunto foi tomada isoladamente, segundo a imprensa britânica, pelo presidente da comissão disciplinar, Mohammad Al Kamali, embora ele não tenha decidido exclusivamente em nenhum dos casos disciplinares divulgados anteriormente. Infantino, no entanto, defende a independência da FIFA.
A FIFA divulgou um comunicado sobre a anulação da sanção, mas não explicou suficientemente o motivo. A queixa da organização FairSquare aponta para cinco violações claras das regras de neutralidade política do COI entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, e, ao mesmo tempo, para provas evidentes de outras duas violações graves, incluindo a conduta no caso Balogun.
O primeiro incidente remonta a 20 de janeiro de 2025, quando Infantino, num vídeo, agradeceu o convite para a cerimónia de investidura de Trump, concluindo com a frase: «Juntos, devolveremos a grandeza não só à América, mas também ao mundo inteiro». A ONG considera esta declaração um «apoio ao programa político do presidente Trump».
A 4 de fevereiro do mesmo ano, o presidente da FIFA escreveu no Instagram que «o presidente Donald Trump merece inquestionavelmente o prémio Nobel da Paz pelas suas ações decisivas», o que a FairSquare classifica como um «apoio pessoal manifesto à intervenção do presidente Trump numa situação política altamente controversa».
Outra «posição política muito clara» foi identificada a 5 de novembro de 2025, quando Infantino, questionado sobre a sua relação com o líder norte-americano, afirmou que este «está apenas a implementar o que anunciou» e que «todos deveríamos apoiar o que ele faz, porque me parece bastante bom».
A 5 de dezembro de 2025, durante o sorteio do Mundial, Infantino entregou a Trump o Prémio da Paz da FIFA, declarando: «Merece sem dúvida este primeiro prémio da paz da FIFA pelas suas ações e pelo que alcançou à sua maneira. Obteve resultados incríveis e pode sempre contar, Senhor Presidente, com o meu apoio». Este ato é visto pela ONG como um «apoio pessoal manifesto à política externa do presidente Trump».
Por fim, a 19 de fevereiro de 2026, Infantino marcou presença no «Conselho da Paz» convocado por Trump, usando um boné vermelho com as inscrições «USA» e «45-47», em alusão aos dois mandatos do presidente republicano.
Quanto às restantes duas acusações, a primeira diz respeito à «possível aceitação de pressões políticas exercidas pelo presidente Trump para contornar as regras disciplinares da FIFA» durante o Mundial de 2026, no conhecido «caso Balogun»; a segunda alegação foca-se na promoção, por parte de Infantino, de um site da FIFA para adeptos do Mundial de 2026, que «parece ter feito parte de uma campanha de recolha de dados conduzida por entidades ligadas ao presidente Trump».
A Federação Norueguesa de Futebol contactou a comissão de ética da FIFA para avaliar a queixa da FairSquare. A mesma comissão foi contactada por 50 membros do Parlamento Europeu com um pedido para que a queixa fosse tratada. A FIFA e o COI ainda não se pronunciaram à agência DPA.
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