Gianni Infantino no Noruega-Inglaterra - Foto: IMAGO

Gianni Infantino cada vez mais isolado na FIFA após polémica com Balogun

Várias federações poderão reconsiderar apoio à sua reeleição e até mesmo a novos projetos do atual presidente

O futuro de Gianni Infantino como presidente da FIFA está em risco, podendo tornar-se um lame duck (presidente sem poder efetivo) devido à controvérsia gerada pelo levantamento da suspensão do avançado norte-americano Folarin Balogun, após uma intervenção do líder norte-americano Donald Trump.

Vários países que anteriormente apoiavam a reeleição de Infantino estarão agora a reconsiderar essa posição, avança o Times. Acreditam que a decisão de adiar a suspensão de Balogun para depois do Campeonato do Mundo ultrapassou uma linha vermelha, sugerindo que a FIFA poderá ter manipulado o resultado de um jogo.

Apesar de se esperar que Infantino sobreviva às consequências e não tenha oposição na sua reeleição no próximo ano, o escândalo prejudicou gravemente a sua reputação. Como resultado, é quase certo que será impedido de concretizar os seus principais objetivos no seu último mandato: a expansão do Mundial de Clubes e/ou a sua transformação num torneio bienal.

«A interferência política no futebol não podia ser mais forte do que a que Trump fez, e as tentativas de explicação da FIFA têm sido ridículas. O poder de Infantino esgotou-se, ele está agora muito isolado — será um presidente lame duck», explicou fonte da organização, que pediu anonimato.

Alemanha, Países Baixos, Bélgica, Noruega e Suíça emitiram comunicados a criticar a decisão do comité disciplinar da FIFA, que manteve o cartão vermelho a Balogun, mas suspendeu o castigo. Recorde-se que a Bélgica, cuja equipa defrontou Balogun nos oitavos de final, foi um dos países que escreveu a Infantino nas últimas semanas a oferecer apoio à sua reeleição.

A principal base de poder de Infantino tem sido África. A federação do Níger manifestou o seu apoio esta semana, afirmando que «rejeita qualquer tentativa de manipulação ou desestabilização e promete o seu apoio inabalável ao presidente». No entanto, outras federações, como as do Egito e do Senegal, estão a reconsiderar a sua posição.

Curiosamente, a federação inglesa (FA) decidiu apoiar a reeleição de Infantino há algumas semanas, mesmo sabendo que existia uma queixa pendente contra ele no comité de ética, apresentada pela federação norueguesa, por alegada violação das regras de neutralidade política.

A falta de transparência em torno do caso tem aumentado a polémica. A FIFA recusou-se a divulgar os fundamentos escritos da decisão sobre Balogun. Além disso, o organismo não esclareceu qual ou quais os membros do comité disciplinar que tomaram a decisão, embora seja prática comum que a maioria dos casos seja decidida por um único membro.

O próprio Infantino admitiu ter recebido uma chamada de Trump sobre o cartão vermelho, mas insistiu que informou o presidente dos EUA de que a decisão caberia a um comité disciplinar «independente».

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