Gregos estiveram duas vezes na frente do marcador, mas a equipa de Mourinho nunca desistiu

Quarta a fundo de Mourinho com sofrimento e talento (crónica)

Real Madrid esteve a perder por duas vezes, mas deu a volta com um golo de Valverde já no tempo de compensação

Em outra reviravolta histórica, o Real Madrid conseguiu, na tarde/noite desta quarta-feira, uma vitória muito sofrida, mas que o coloca no topo da classificação da Liga dos Campeões, com triunfos nos quatro jogos disputados. 

Nesta deslocação a Atenas, José Mourinho decidiu fazer algumas rotações, dando descanso a Tchouameni e Arda Guler que ficaram em Madrid,  mexeu no centro da defesa onde colocou Rudiger e Éder Militão que voltou a ser titular depois de longos seis meses de ausência.

Bernardo Silva parece ter o lugar garantido tendo desta vez Camavinga como parceiro no centro do terreno, como estava previsto Vinícius alinhou desde o principio no lado esquerdo do ataque, deslocando-se Diomande para a outra banda, uma formação com sentido ofensivo mas muito arriscada no setor defensivo.

Por parte do AEK, o seu técnico prescindiu dos habituais Razvan Marin e Varga mantendo como ponta de lança a Jovic, o jogador que, há sete anos, custou 60 milhões de euros ao Real Madrid por onde passou sem pena nem glória, muito longe do que dele se esperava. João Mário, internado com pneumonia, foi baixa nos gregos.

O AEK começou o jogo a alto ritmo conseguindo surpreender ao Real que talvez não esperasse uma tão grande pressão inicial por parte do seu entusiástico adversário, é o que costuma suceder com as equipas, teoricamente inferiores, quando jogam em casa, dão tudo ao princípio para depois, cansadas, irem ficando, pouco a pouco, com menos energia.

Nesses primeiros minutos de sofrimento, Courtois teve de intervir a fundo num par de ocasiões para evitar ser batido, mas não pôde evitar que os gregos marcassem pouco antes do quarto de hora, numa jogada pela direita, Koita, rodeado por três adversários, logrou encontrar espaço para fazer um remate forte e bem dirigido que levou a bola ao fundo da baliza madrilena sem que o guardião belga pudesse fazer nada para evitar o golo.

O Real Madrid viu-se, assim, na incómoda situação de ir atrás no marcador e a ponto esteve de que as coisas ainda mais se lhe complicassem com o segundo tento grego, algo que logrou evitar Courtois com uma nova e enorme defesa a remate de Gacinovic.

A partir daí a turma de Mourinho espertou da  sonolência, aumentou a velocidade do seu jogo e, pouco a pouco foi aumentado a sua autoridade à medida que os gregos iam perdendo gasolina, foi preciso, porém, esperar até passada a meia hora para ver-se como Bellingham fazia o tento do empate, Cucurella centrou do lado esquerdo e o inglês com um subtil golpe de calcanhar bateu o guardião local, um golo galático do jogador, em todo o desafio, mais influente da equipa.

Até ao intervalo o Real continuou a ser superior e até podia ter marcado num remate de cabeça de Bernardo Silva que levou o esférico a passar rente ao poste, não houve golo e assim se chegou ao intervalo com o desafio empatado.

O Real iniciou o segundo tempo procurando impor um certo domínio e não passar pelas mesmas dificuldades do começo do encontro, tomou a posse da bola, insistiu no ataque e um tiro de Cucurella foi detido sobre a linha quando parecia que o golo era inevitável. Apesar do seu domínio, notava-se a ausência da clarividência de jogo de Arda Guler que, cada vez, se nota mais imprescindível para a equipa.

Frente ao domínio adversário, o AEK foi resistindo como pôde e, fazer apelo às suas reservas de combustível, voltou a colocar-se em vantagem num rápido contra-ataque concluído de forma vitoriosa por Pilos.

Restava um quarto de hora para o final, mas o Real só precisou de três minutos para reagir e voltar a marcar, Dumfries internou-se pela direita, centrou para o coração da área e aí apareceu Mbappé para fazer o tento da nova igualdade.

Mas Mourinho queria mais, pôs em campo a toda a artilharia para conseguir o golo da vitória que acabou por aparecer, já em tempo de compensação, num remate potente de longe de Valverde de impossível defesa.

Não foi brilhante a exibição do Real Madrid, mas cumpriu o seu objetivo num desafio bastante travado frente a um adversário muito incómodo que criou mil dificuldades. Além do resultado a boa noticia foi dada por Militão que aguentou todo o encontro sem se ressentir, fim do calvário para o bravo jogador brasileiro. Bernardo Silva voltou a cumprir, o essencial do jogo da equipa passou por ele e cada vez consolida mais a sua presença na equipa.

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