Ruben Amorim sem paninhos quentes: «Não estou satisfeito! O jogo com o Benfica...»
Na antevisão à receção europeia ao Ferencvaros, agendada para esta quinta-feira em San Siro, Ruben Amorim recusou de forma categórica qualquer onda de euforia no seio do balneário do Milan após o triunfo por 3-1 no dérbi da Madonnina frente ao rival Inter.
Com apenas três pontos somados ao cabo de três rondas já disputadas na fase de grupos da UEFA Europa League, o técnico português deixou bem claro que a margem de erro da equipa se esgotou por completo e assumiu uma postura de exigência máxima para o que resta da campanha.
Amorim manifestou frontalmente a sua insatisfação com a produção global e a consistência dos rossoneri, admitindo aos jornalistas a dificuldade em descodificar as oscilações exibicionais entre provas: «Às vezes é difícil explicar a diferença de desempenho entre o campeonato e a Liga Europa. Pode depender da rotação de jogadores, da abordagem ou de lances específicos.»
O treinador sublinhou que o grupo tem futebol para apresentar mais pontos em Itália e disparou sem filtros: «Deveríamos ter mais pontos na Serie A também. Não estou satisfeito nem com a Serie A nem com a Liga Europa.»
Para ilustrar de forma concreta essa inconstância da equipa em palco internacional, o técnico recordou os duelos europeus anteriores: «Contra o Benfica tivemos posse de bola, mas sentimos muitas dificuldades a seguir. Já em Salzburgo vencemos de forma convincente.»
No seu entender, os desfechos têm dependido quase exclusivamente da mentalidade e da postura competitiva em campo.
«Certamente não podemos dar a vitória como garantida. Somos capazes de ganhar e perder qualquer partida. Depende da nossa abordagem. Depende de nós e, às vezes, de um pouco de sorte», disse o técnico português do Milan.
Embora o triunfo sobre o rival citadino tenha servido como exemplo da atitude necessária, Amorim fez questão de frisar que esse dérbi é já passado e que o foco tem de estar na Liga Europa. «O objetivo é manter a consistência. O Inter já passou e agora precisamos de nos concentrar na Liga Europa. Contra o Inter fomos muito consistentes durante toda a partida, e é disso que precisamos. Precisamos de vencer amanhã», continuou, antes de elogiar a confiança e a identidade tática da formação húngara: «O Ferencváros tem o hábito de vencer independentemente da situação, e isso demonstra confiança. Jogam num esquema 4-2-3-1, têm uma rotação muito forte e uma identidade própria.»
Perante esse cenário, a responsabilidade de assumir as despesas recai inteiramente sobre os ombros do Milan: «Eles vêm a San Siro sem nada a perder, então a responsabilidade será nossa. Contra o Inter mantivemos a humildade e a atenção aos detalhes, e teremos de fazer o mesmo para vencer amanhã.»
Por fim, o técnico confirmou que terá de gerir com pinças as escolhas para o onze inicial devido à sobrecarga de calendário.
«Rotação? Precisamos de ter cuidado com alguns jogadores, jogámos muito nas últimas semanas. Se não fizermos rotação com alguém, corremos o risco de perdê-lo por um longo período. Vamos jogar contra um adversário forte que tem um histórico perfeito», concluiu Ruben Amorim.