O 3-0 acabou com as esperanças do SC Braga (foto IMAGO)
O 3-0 acabou com as esperanças do SC Braga (foto IMAGO)

Quando se perde o norte na Floresta Negra fica difícil avistar Istambul (crónica)

SC Braga transformou sonho em pesadelo ao sétimo minuto; expulsão de Dorgeles condicionou (muito), falta de gás também; guerreiros quase renasceram das cinzas, mas apenas para caírem de pé

FRIBURGO – O SC Braga tinha encontro marcado com a história, mas as vicissitudes do jogo tornaram a equipa uma sombra do que poderia ter sido, pagando de uma só vez a fatura de toda a época, desde o desgaste às lesões (Horta incluído), que, claro, tornaram as opções no banco mais curtas.

Sabia que a vantagem (2-1) trazida da Pedreira era mínima, que tinha de resistir ao ímpeto de um Friburgo empurrado por mais de 30 mil fervorosos adeptos nas bancadas, que fizeram do estádio um vulcão, mas não entrou em jogo com a maturidade que se pedia e esperava e não tardou em ver o sonho virar pesadelo.

A Floresta Negra tornou-se num labirinto do qual os guerreiros do Minho não conseguiram sair, apesar das tentativas na reta final, depois do golo de Pau Víctor. Mas o mal tinha sido feito muito antes. E por culpa própria. Logo ao sétimo minuto, erro defensivo. Um passe de rutura a ludibriar Paulo Oliveira abriu autoestrada no corredor central rumo à baliza de Hornicek, que Beste aproveitou, isolando-se com Dorgeles nas costas, com este a derrubar o ex-Benfica à entrada da área: cartão vermelho direto — a primeira expulsão da carreira do costa-marfinense! E a enésima prova de que para passar de herói (na Pedreira) a vilão (em Friburgo) é preciso muito pouco.

Faltou a Dorgeles discernimento para entender que naquele contexto mais valia ter arriscado deixar Beste tentar marcar, porque impedi-lo e deixar a equipa com 10 em fase tão madrugadora (no 59.º jogo da temporada…) poderia ter custos maiores.

Os bracarenses nem tinham ainda entrado no jogo e já perdiam capacidade ofensiva e de posse e davam ao Friburgo e aos adeptos alemães ainda mais motivos para acreditarem na reviravolta…

Naturalmente, o Friburgo passou a comandar (ainda mais) as operações. Vicens reorganizou a equipa (Zalazar a fechar a esquerda e Gorby mais perto de Pau Víctor, mas não tardou em alterar, devolvendo Zalazar (que desde cedo pareceu ter pouco combustível…) ao ataque e recuando antes Pau Víctor para… fechar. Mas ficou difícil parar o ímpeto alemão. A expulsão foi tónico enorme e o 1-0 que empatava a eliminatória chegou aos 19’, com Gorby a tentar afastar a bola da área e esta a bater no corpo de Lukas Kubler, tomando a direção da baliza e acertando caprichosamente no poste direito de Hornicek antes de cruzar a linha de golo. Que chouriçada…

O caminho para Istambul passava de nítido a turvo, os guerreiros ameaçavam ficar perdidos na Floresta Negra, sem luz até à saída. O 2-0 chegou antes do intervalo, aos 41', num lance de classe de Manzambi, que fletiu da esquerda para o meio, olhou para a baliza e a posição de Hornicek, e a seguir disparou em arco, sem hipóteses… A equipa portuguesa ia de mal a pior. Ainda tentou dar ar de graça antes do apito para o descanso, mas a sorte não quis nada com os bracarenses e Víctor Goméz, servido por Pau Víctor, acertou no poste aos 40+1' depois de tirar Atubolu do caminho. Menos mal, os minhotos não estavam rendidos.

O Friburgo veio do descanso na mesma toada, não ficou à espera do SC Braga, tentou matar o jogo rapidamente, mas quando teve pontaria foi encontrando um Hornicek a valer por dois (defesas monumentais aos 53', 70' e 71 — por duas vezes consecutivas) e a manter os minhotos a um golo de empatarem o apuramento. Mas, lá está, também faltou sorte. E sobrou azar...

No lance a seguir às defesas seguidas de Hornicek, aos 72', Kubler bisou e enterrou as esperanças do SC Braga. Ajoelhados, os bracarenses ainda se levantaram e chegaram ao 3-1 através de Pau Víctor aos 79'. Voltavam a ficar a um golo do empate e viram o Friburgo recuar. Apertaram os alemães e Atubolu ainda negou golo a Gorby (88') e também disse não a remate de Gabri (90+1'), que deu canto.

Hornicek ainda subiu, mas não houve momento Trubin e o jogo acabou — com inacreditável invasão de campo, milhares de adeptos no relvado, polícia de choque e uma comunhão impressionante que deixou Julian Schuster e não só a chorar como um bebé.

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