Tarja de grandes dimensões foi retirada de uma das bancadas da Pedreira por decisão policial - Foto: SC Braga
Tarja de grandes dimensões foi retirada de uma das bancadas da Pedreira por decisão policial - Foto: SC Braga

PSP faz balanço dos incidentes no dérbi minhoto e contraria versão do SC Braga

Autoridade responsável pelo policiamento do jogo ontem realizado na Pedreira avança, em comunicado, que já tinha dado indicação aos arsenalistas de que a propalada tarja que acabou por ser retirada da bancada nascente não poderia ser exibida. Uma detenção e mais de meia centena de pessoas identificadas. Arremesso de tochas para o relvado está a ser analisado

Contra-ataque. Já depois de, ontem, o SC Braga ter emitido um comunicado a visar a Polícia de Segurança Pública (PSP) de Braga, motivado pela obrigatoriedade da retirada de uma tarja que, entendem os arsenalistas, estava enquadrada na coreografia para o dérbi diante do Vitória de Guimarães, este domingo surgiu a resposta do Comando Distrital de Braga da PSP.

A referida força policial emitiu um comunicado a dar conta de toda a operação levada a cabo no referido encontro da 23.ª jornada, sendo que nessa nota pública estão plasmadas as razões que a PSP entendeu serem as certas para que a tarja não pudesse ser estendida ao longo da bancada, como era intenção do SC Braga.

«No âmbito do policiamento ao jogo de futebol da 23.ª jornada da I Liga, disputado entre o Sporting Clube de Braga e o Vitória Sport Clube, realizado no Estádio Municipal de Braga, a Polícia de Segurança Pública de Braga procedeu, antes da abertura de portas, à habitual inspeção de segurança junto das bancadas. No decurso dessa ação policial, foi verificada a pré-colocação de duas lonas/tarjas em locais distintos da bancada nascente: uma de grandes dimensões (cerca de 2 500 m²), enrolada no relvado ao longo de toda a extensão da bancada, e outra na zona nascente superior. A lona de maior dimensão era constituída por uma rede de suporte, várias lonas pintadas, uma estrutura metálica tubular linear com aproximadamente 100 metros de comprimento e várias centenas de metros de cordame destinado à sua elevação. Os referidos materiais coreográficos, em particular o de maiores dimensões, encontravam-se colocados na proximidade de artefactos pirotécnicos de projeção, devidamente autorizados e licenciados pela Polícia de Segurança Pública. Atendendo à natureza não ignífuga dos materiais utilizados (rede de suporte, lonas, tintas e cabos) e à sua proximidade com fontes de calor (pirotecnia), o comandante do policiamento, após consulta à estrutura distrital de comando, determinou a inviabilização total da coreografia, face aos riscos reais e significativos para a integridade física dos adeptos presentes na bancada nascente», pode ler-se.

Além desta situação — que, recorde-se, levou já o SC Braga a pedir audiências a Liga, FPF, Governo e APCVD —, o Comando Distrital de Braga da PSP deu conta de outros incidentes registados antes, durante e depois do dérbi minhoto, com destaque para uma detenção e mais de meia centena de indivíduos identificados.

«Cumpre ainda referir que, durante a intervenção policial, foram identificados 42 indivíduos que tentaram obstaculizar a ação policial mediante o acesso forçado ao interior do estádio. Foram igualmente apreendidos 23 títulos de livre-trânsito titulados pelo Sporting Clube de Braga, sem qualquer identificação nominal, dois alicates e um artefacto pirotécnico ilícito, entretanto abandonados pelos referidos indivíduos. Foram apreendidos três artefactos pirotécnicos ilícitos previamente colocados na bancada nascente, bem como um gorro tipo passa-montanhas. Foi detido um indivíduo do sexo masculino pelo crime de ameaças a agente de autoridade. Foi igualmente apreendida uma lona plástica utilizada por adeptos do Sporting Clube de Braga para ocultação de identidade aquando da deflagração e arremesso de artefactos pirotécnicos ilícitos. Foram ainda identificados 10 indivíduos por incumprimento do dever de correção e moderação. A PSP teve conhecimento de várias pessoas que necessitaram de intervenção de socorro pré-hospitalar das quais averigua as respetivas causas. Da operação policial resultou um agente ferido, o qual necessitou de assistência hospitalar. Importa ainda salientar que a PSP de Braga comunicou, no passado dia 9 de fevereiro, a intenção de não autorizar as referidas coreografias, considerando que as mensagens nelas apostas não evidenciavam qualquer manifestação clara e inequívoca de apoio à equipa ou à sociedade desportiva interveniente, neste caso o Sporting Clube de Braga. Refira-se, por último, que o jogo de futebol foi temporariamente interrompido em virtude do arremesso de várias tochas incandescentes para o relvado, precisamente na zona onde seria elevada a lona/tarja de maiores dimensões. O incidente implicou um atraso aproximado de 35 minutos na abertura de portas, até estarem reunidas todas as condições de segurança. Foi elaborado expediente policial que seguirá os respetivos trâmites legais. A Polícia de Segurança Pública reitera o firme propósito da garantia intransigente das condições de segurança máximas para a realização de espetáculos desportivos e continuará a cooperar com todas as instituições públicas e privadas para garantir a segurança dos eventos desportivos e a segurança da vida em comunidade», concluiu o referido comunicado emitido pela PSP na tarde deste domingo.