Muitos dos reforços com o selo de Bruno Lage não enchem as medidas a José Mourinho — Foto: IMAGO
Muitos dos reforços com o selo de Bruno Lage não enchem as medidas a José Mourinho — Foto: IMAGO

Próxima época do Benfica começa em Arouca

A utilização dos 10 reforços de Lage por parte de Mourinho é sintomática. Dahl, Dedic e Lukebakio são muito pouco para justificar bem mais de €100 milhões de investimento… Este é o 'Livre sem barreira', espaço de opinião de Hugo do Carmo

O clássico praticamente sentenciou a época do Benfica. Apesar de os encarnados terem conseguido anular uma desvantagem de dois golos, uma primeira parte desastrosa como que os impossibilitou de recuperarem a distância de sete pontos para o líder FC Porto. O próprio José Mourinho o admitiu no final da partida da Luz.

É certo que o Benfica tem todas as possibilidades de terminar no segundo lugar, até porque ainda defronta o Sporting, mas para um clube da dimensão da dos encarnados não há segundo lugar que salve uma época. Mesmo que a vice-liderança permita lutar pela UEFA Champions League em 2026/2027 e todos sabemos da importância dos milhões da prova milionária para qualquer orçamento de um clube português. Contas redondas, há sempre uma diferença de pelo menos 40 milhões de euros entre disputar a Liga dos Campeões ou a UEFA Europa League.

Sem abdicar da luta pelo acesso à prova milionária, considero que o Benfica tem de começar já a preparar a próxima temporada e esta arranca já em… Arouca, no sábado.

Já o escrevi neste espaço e insisto: Rui Costa tem de clarificar se José Mourinho continua ou não na Luz. O treinador já assumiu publicamente a vontade de renovar, pelo que falta apenas o presidente pronunciar-se. O mais breve possível.

Sou daqueles que não acredita em projetos no futebol, mas considero que uma estrutura forte é indissociável do sucesso. Os maus resultados ou o assédio de um tubarão podem pôr fim ao trajeto de um treinador, mas a liderança de uma Direção nunca permitirá que a identidade da equipa se perca. E com isso o nível mantém-se ou, pelo menos, não há quebras acentuadas. Há, pois, continuidade. Fundamental num clube.

Vem isto a propósito destas duas últimas épocas do Benfica, nas quais a falta de planeamento não permitiu chegar ao título de campeão nacional, tão-pouco à conquista da Taça de Portugal. Com Roger Schmidt a começar a temporada transata e pouco depois a ser substituído por Bruno Lage, que nesta também acabou despedido em circunstância idênticas, o Benfica perdeu terreno que acabou por ser irrecuperável para os rivais.

Sim, uma chicotada psicológica a meio de uma campanha raramente resulta e a época transata foi exceção… obrigatória, já que os três grandes mudaram de treinador a meio e um tinha de ganhar… No caso, o Sporting, que não por coincidência foi o que menos mudou. Por um lado, o guarda-redes Rui Silva foi o único reforço a sério e, por outro, Rui Borges chegou a Alvalade disposto a mudar o sistema tático já enraizado e rapidamente fez marcha-atrás. Em nome da… continuidade.

Os reforços são mesmo um bom exemplo da importância de uma estrutura. Basta analisar a utilização das aquisições de Bruno Lage por parte de José Mourinho. Mesmo salvaguardando as lesões, Manu Silva, Bruma, Sudakov e Ivanovic estão subaproveitados, Obrador já nem mora na Luz e mesmo Barrenechea e Ríos já se percebeu que não lhe enchem propriamente as medidas. Restam Dahl, Dedic e Lukebakio. Muito pouco para bem mais de 100 milhões de euros de investimento…