Processo 'Bilhete Dourado': Fernando Madureira e familiares constituídos arguidos
Fernando Madureira, antigo líder da claque Super Dragões, foi constituído arguido no âmbito da investigação a um alegado esquema milionário de venda irregular de bilhetes do FC Porto. O Processo Bilhete Dourado, que se encontra na sua fase final, poderá resultar numa acusação contra cerca de 30 pessoas nos próximos meses.
A constituição de arguido de Fernando Madureira ocorreu há cerca de duas semanas na sua residência em Vila Nova de Gaia, antes de este regressar ao Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, onde cumpre pena no âmbito da Operação Pretoriano. O antigo líder dos Super Dragões aguarda agora interrogatório pela Divisão de Investigação Criminal da PSP do Porto.
A investigação, conduzida pela procuradora Graça Ferreira do DIAP do Porto, suspeita que o esquema terá desviado avultadas quantias através da comercialização de ingressos do clube. A magistrada é também a responsável pelo processo relativo aos incidentes na Assembleia Geral do FC Porto de novembro de 2023.
No decorrer da investigação, que dura há dois anos, vários outros suspeitos foram chamados a depor na última semana. Provas recolhidas na Operação Pretoriano, como bilhetes encontrados na posse de suspeitos, foram integradas neste novo inquérito. O dinheiro e os automóveis apreendidos ao casal Madureira também foram anexados ao processo, por suspeita de serem provenientes da atividade criminosa.
A operação, denominada Bilhete Dourado, foi desencadeada em maio de 2024 com buscas realizadas enquanto Fernando Madureira já se encontrava em prisão preventiva. Na altura, não foi constituído arguido, ao contrário da sua mulher, Sandra Madureira, da filha Catarina e de outros familiares, que se juntaram a um total de 13 arguidos. Nessa diligência, foram apreendidos mais 44 mil euros e cerca de mil bilhetes na residência da família. As autoridades acreditam que, após a prisão de Madureira, a sua filha Catarina assumiu a gestão do negócio.
Além de Madureira, também Carlos Nunes, conhecido como “Jamaica”, foi constituído arguido neste processo. Recorde-se que 'Jamaica' já tinha sido condenado a uma pena suspensa de dois anos e sete meses no âmbito da Operação Pretoriano.
Paralelamente, uma auditoria interna do FC Porto revelou uma dívida de aproximadamente dois milhões de euros por parte dos Super Dragões, referente a bilhetes cujo pagamento nunca terá chegado ao clube. As buscas da PSP abrangeram ainda a Porto Comercial, a Loja do Associado e o Estádio do Dragão.
Uma auditoria promovida pelo FC Porto concluiu que os Super Dragões acumulavam uma dívida de cerca de dois milhões de euros relacionada com bilhetes cujo valor, alegadamente, nunca chegou aos cofres do clube. As buscas realizadas no âmbito da operação abrangeram igualmente a Porto Comercial, a Loja do Associado e o Estádio do Dragão, envolvendo dezenas de elementos da PSP. Atualmente, Fernando Madureira encontra-se a cumprir o remanescente da pena de três anos e quatro meses de prisão aplicada na Operação Pretoriano e a defesa espera que possa beneficiar de liberdade condicional quando atingir dois terços da pena.