Inês Meninas foi uma das melhores jogadores de Portugal - Foto: FPF
Inês Meninas foi uma das melhores jogadores de Portugal - Foto: FPF

Portugal bateu o pé à campeã da Europa e tombou com honra (crónica)

Seleção Nacional feminina encerrou primeira participação no Mundial de sub-20 ao perder com Espanha (2-0) nos oitavos de final. Nair Pina defendeu grande penalidade e ainda segurou esperança lusa, já após a expulsão de Neide Guedes

A Seleção Nacional feminina de sub-20 saiu de cena do Mundial nos oitavos de final, mas fê-lo com honra. Ontem, em Katowice, a equipa das Quinas soube levantar a cabeça perante as (várias) contrariedades que encontrou e, apesar da derrota, por 2-0, frente à Espanha, campeã europeia do escalão, deixou uma boa imagem, fruto de uma atitude lutadora que nunca esmoreceu, mesmo passando mais de 45 minutos a jogar com dez. Mas já lá vamos.

Como era de esperar, a favorita entrou forte no desafio. Pressionantes, nuestras hermanas colocaram-se em vantagem logo aos 8'. Noe Bejarano trabalhou bem junto à grande área de Portugal e serviu Marisa García. Na cara de Nair Pina, a avançada assinou o 1-0, apesar de a guardiã lusa ainda ter tocado na bola com a perna.

Só que as lusas não se atemorizaram. Com a equipa mais subida, Carolina Tristão pautou o jogo ofensivo e, aos 25', isolou Maísa Correia. À turma espanhola valeu a saída destemida de Laia López, a fazer a mancha. La Rojita reassumiu o controlo das operações e cheirou o 2-0 em lances consecutivos. Valeu a trave primeiro e, depois, uma grande defesa de Nair, no frente a frente com Gurtubay. O problema adensou-se nos descontos, quando Neide Guedes foi expulsa após revisão do VAR.

A segunda parte não começou bem para Portugal: Marta Gago fez um corte fora de tempo e cometeu penálti (51'). Contudo, no duelo com Daniela Agote, Nair voltou a ser gigante, travando o disparo e segurando o jogo.

Houve um golo anulado a Espanha aos 62', mas, aos 70', contou mesmo... com sorte à mistura: um corte defeituoso de Iara Lobo bateu em Nair Pina e entrou na baliza.

Mesmo perante o desfecho inevitável, a Seleção não perdeu a cabeça: a julgar por este Mundial, o futuro do futebol feminino português será risonho.

A melhor em campo - Noe Bejarano (Espanha)

Lateral-direita de origem, a camisola 7 e capitã de Espanha mais parecia avançada, tal o tempo que passou em terrenos subidos. Crucial no 1-0, ao inventar a jogada do golo, foi um quebra-cabeças constante para a defesa portuguesa, ora a cruzar (e bem), ora a combinar por dentro.

A figura - Nair Pina (Portugal)

Foi difícil escolher entre a guardiã e a central Inês Meninas, mas Nair ganhou a frente assim que defendeu um penálti com 1-0 no marcador. A jogadora do SC Braga somou outras intervenções de classe: uma na cara de Gurtubay, outra perante Pau Comendador. Pena o autogolo, mesmo que sem grande culpa...

Marisa Gomes, selecionadora de Portugal

Sentimento de orgulho por aquilo que a equipa fez. Por aquilo que fizemos em momentos de adversidade, não só neste jogo, mas em todo o torneio. Também pela valorização das jogadoras. Estamos muito orgulhosos. Sentimos que desde o primeiro momento, contra a Coreia do Norte, houve um crescimento individual muito grande. O que queremos é promover condições para chegarem à Seleção A.

Érica Cancelinho, defesa-central de Portugal

O que fizemos foi histórico, temos um orgulho enorme na equipa que jogou aqui, neste Mundial. Fomos até ao fim todas juntas. Portugal só tem de estar orgulhoso de nós e naquilo que fizemos. Saímos melhores desta competição do que quando cá chegámos. Foi um enorme sacrifício da nossa parte, aguentámo-nos juntas até ao fim. Saímos daqui mais fortes.

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