Pentacampeão francês e bicampeão europeu: quem trava este PSG?
Quem trava este PSG? É essa a pergunta que tem sido feita nesta última década e aplica-se mais uma vez em 2026/27. Há 10 anos, o Mónaco, de Leonardo Jardim e Bernardo Silva, evitou o pentacampeonato dos parisienses e, em 2020/21, foi o Lille, de Galtier, com José Fonte, Renato Sanches e companhia que tirou o segundo tetra.
Na época passada, ninguém conseguiu impedir o emblema de Paris de se sagrar pela primeira vez na história pentacampeão em França - apenas o Lens deu alguma luta. Além disso, a formação orientada por Luis Enrique e com os portugueses Gonçalo Ramos, João Neves, Nuno Mendes e Vitinha voltou a vencer a Liga dos Campeões. Portanto, nem na Europa, houve quem superasse esta equipa.
Agora, tal como o próprio treinador espanhol já o afirmou publicamente, o objetivo passa por igualar o Real Madrid como o único clube a vencer três Champions seguidas e também somar o primeiro hexacampeonato. É de referir que o recorde pertence ao Lyon como heptacampeão entre 2001/02 e 2007/08.
O problema é que, se como fosse possível, o PSG parece estar ainda mais forte do que na época passada. A grande perda na equipa foi, sem dúvida nenhuma, Gonçalo Ramos para o Milan, de Ruben Amorim, por 74 milhões de euros, mas, mesmo assim, o avançado português era apenas um suplente para Luis Enrique. Sempre que entrava marcava golos, sim, mas era substituível para o técnico espanhol, que decidiu ir buscar o compatriota Ferrán Torres.
O herói de Espanha no Mundial 2026 chegou do Barcelona por 48,5 milhões de euros e é uma boa alternativa para o centro de ataque, sendo que já trabalhou com o treinador. Maghnes Akliouche (Mónaco) e Mika Godts (Ajax) foram as outras contratações sonantes por quase o mesmo valor e destaque ainda para o regresso do experiente Lucas Digne (€7 M ao Aston Villa) para ser suplente de Nuno Mendes.
Além de Ramos, saíram Kolo Muani, que na época passada estava cedido à Juventus e agora ruma em definitivo, e ainda Kang-In Lee, outro suplente de luxo, para o Atlético Madrid, por valores semelhantes aos reforços.
Luis Enrique parte para a sua quarta temporada em Paris e o objetivo continua a ser o mesmo desde que chegou: ganhar tudo. Até agora, o técnico espanhol conquistou 11 troféus de 14 possíveis: duas Champions, três campeonatos, duas Taças, três Supertaças francesas, duas Supertaças Europeias e uma Taça Intercontinental. O eleito melhor treinador do mundo em 2024/25 pela FIFA e um dos candidatos para repetir o feito em 2025/26, talvez a par dos compatriotas Luis de la Fuente e Mikel Arteta, está a escrever história no PSG e assim quer continuar. Relativamente à Ligue 1, se a conquistar mais uma vez torna-se no segundo técnico com o maior número de ligas francesas a par de Laurent Blanc e Lucien Leduc, ambos com 4. À sua frente está apenas Albert Batteux, que foi campeão oito vezes, quatro pelo Saint-Étienne e outras quatro pelo Reims. Já no capítulo europeu, apenas Carlo Ancelotti tem mais Champions do que Luis Enrique. O italiano venceu duas vezes pelo Milan e três pelo Real Madrid, enquanto o espanhol ganhou uma pelo Barcelona e agora duas seguidas com o PSG, esperando chegar à terceira, algo que só Zidane fez com os merengues.
Principais rivais
A verdade é que a temporada começou de uma forma agridoce para os parisienses: derrotaram o Aston Villa (2-1) na Supertaça Europeia, mas perderam a Supertaça de França para o Lens (0-1), que conquistou este troféu pela primeira vez, num jogo em que Nuno Mendes foi expulso e João Neves ficou de fora. Um aviso ou promessa de que a tarefa não vai ser fácil.
Apesar de ser uma liga completamente dominada pelo PSG, é bastante competitiva na luta pelos lugares europeus e o segundo classificado vai mudando constantemente. Aliás, a diferença do terceiro lugar para o sexto na época passada foi de apenas... dois pontos. Essa foi a diferença entre entrar diretamente na Champions e jogar na Liga Europa.
Lens foi o principal concorrente do PSG na época passada, em que conquistou a Taça de França, e, apesar de ter mudado de treinador - Pierre Sage saiu para o Crystal Palace e entrou Dino Toppmoller - e também grande parte do plantel, a Supertaça serviu para mostrar que o ano passado não foi coincidência. Franjo Ivanovic, cedido pelo Benfica, é uma das grandes novidades, além de Thorgan Hazard, irmão do reformado Eden.
No Lille, foram poucas as mudanças, mas destaque também para a saída do treinador Bruno Génésio para o Marselha e a entrada de Davide Ancelotti, filho de Carlo. Mbemba e Meunier saíram e Bouaddi está a caminho do Man. City. O Lyon, de Paulo Fonseca, continua à conta de problemas financeiros, mas vendeu apenas Afonso Moreira e conseguiu ganhar mais plantel, até para atacar a Europa.
Apesar de toda a mudança na estrutura diretiva (presidente, direto desportivo e ainda treinador) e a saída de Greenwood (€40 M para o Fenerbahçe), o Marselha também é sempre um candidato. Seguem-se ainda o Rennes e o Mónaco com um forte investimento no mercado, também fruto de algumas vendas de peso, sendo que os monegascos também contrataram Filipe Luís, ex-Flamengo, para suceder a Pocognoli.
Não nos podem também esquecer do Estrasburgo, de Hugo Oliveira, com o mesmo dono do Chelsea, embora tenham sido muitas as perdas neste mercado: Valentín Barco, Enciso, Emegha e Outtara, sendo que Diego Moreira se vai juntar em breve. Por outro lado, entraram muitos mais jovens, embora por valores bastante inferiores, incluindo Giovanni Reyna. Uma coisa é certa, com ou sem domínio do PSG, a liga francesa promete pela competitividade no topo da tabela e quem sabe se teremos finalmente uma surpresa.
Representação portuguesa
Perante a saída de Gonçalo Ramos para o Milan, de Amorim, a armada lusa no PSG diminiu para um trio de luxo: João Neves, Vitinha e Nuno Mendes, mas há muitos outros lusos em França. Renato Sanches regressou de cedência ao Panathinaikos, mas não fica.
No Lille, Félix Correia fez a época de estreia na Ligue 1 e Tiago Santos perdeu estatuto, mas ainda é uma opção válida, enquanto Tiago Morais regressou de um empréstimo ao Casa Pia. Já Rafael Fernandes foi cedido ao Marítimo Angel Gomes, luso-inglês, volta ao Marselha após meses no Wolves.
Apesar de ter descido com o Nantes, Anthony Lopes vai continuar a jogar na Ligue 1. O campeão europeu por Portugal assinou pelo Angers, a custo zero. Já Mezian Mesloub, outro (jovem de 16 anos) luso-francês ganhou espaço na equipa principal do Lens e Mathys Carvalho continua no Lyon, de Paulo Fonseca, ao contrário de Afonso Moreira, vendido por €29,5 M ao Bayer Leverkusen.
Flávio Nazinho foi uma das recentes adições à liga, ao se juntar ao Mónaco vindo do Cercle Brugge por €5 M. Gonçalo Oliveira, jovem central formado no Benfica, rumou ao Rennes por €3,5 M.
No Estrasburgo, Hugo Oliveira chegou para ser o 2.º treinador português em França, vindo do Famalicão por €4 M. Consigo vieram dois compatriotas: Diogo Sousa, médio de 20 anos, custou €10 M ao V. Guimarães, a transferência mais cara do clube no mercado, e ainda Fábio Baldé, extremo de 21 anos, por €7 M do Hamburgo. De saída está Diego Moreira, luso-belga, para o Milan por €45 M.
Patrick Videira chega à Ligue 1
Por outro lado, dar destaque à subida do Le Mans à Ligue 1, 16 anos depois, como segundo classificado da Ligue 2. O treinador luso-francês Patrick Vieira fez a proeza de conseguir duas promoções seguidas para o histórico clube francês, que há uma década estava a jogar nas distritais.
A tarefa agora é diferente, mas com a mesma convicção e o primeiro teste é precisamente em casa diante do Brest. Quem o acompanhou como campeão foi o Troyes, que terminou com mais cinco pontos no topo do campeonato.
No sentido inverso caíram o Metz (lanterna-vermelha) e o Nantes. Luís Castro foi o treinador que começou a época no clube, mas foi despedido em dezembro e os seus dois sucessores não conseguiram impedir a queda ao segundo escalão pela primeira vez em 13 anos.
Pouco depois, com algumas polémicas com o presidente pel meio, o técnico luso assumiu o Levante e salvou-o da descida na LaLiga na última jornada, sendo que já começou a nova temporada no clube.
Quem esteve muito perto de regressar também à Ligue 1 foi o Saint-Étienne. O segundo clube com mais campeonatos na história de França disputou o play-off com o Nice, na altura equipa de Tiago Gouveia, mas, depois de um empate a zero, foi goleado fora de casa (1-4) e o sonho terminou. Agora, Ian Cathro chegou do Estoril e assumiu o comando técnico, procurando fazer o que antecessor não conseguiu. Para já, o clube soma duas vitórias convincente nos dois primeiros jogos, segurando a liderança da Ligue 2 a par do Annecy. O Saint-Étienne é o principal candidato à subida esta temporada, enquanto se espera mais do Nice na Ligue 1. Na época passada, a equipa participou na Liga Europa, depois de ser eliminado pelo Benfica nas eliminatórias da Champions, mas também aí desapontou e não passou da fase de liga. Para 2026/27, o plantel sofreu bastantes alterações, mas ainda sem muitas entradas.
Surpresa da temporada?
De regresso ao principal escalão francês quase cinco décadas depois (46 anos), o Paris FC não foi além de um 11.º lugar na Ligue 1 em 2025/26. Para uma equipa recém-promovida, pode-se dizer que foi uma época positiva. Tranquila até no aspet em que não teve de lutar pela permanência (44 pontos em 34 jogos), embora também não estado perto dos lugares europeus.
Porém, o emblema de Paris tem um forte financiamento de um bilionário francês (Bernard Arnault), além de uma presença minoritária da Red Bull e investiu novamente em grande este verão.
Para já, já gastou cerca de €80 M e a contratação mais cara foi Patrick Zabi, do Reims, por €25 M. Foi buscar também Coppola ao Brighton (€17.5 M), Pagis ao Lorient (€15 M), Koleosho ao Burnley (€14M) e Sinayko ao Auxerre (€8M), sem perder nenhuma peça-chave e ganhando um novo treinador de renome: Liam Rosenior, ex-Chelsea.
Em 2025/26, o Paris FC eliminou o PSG da Taça de França e esta temporada promete elevar a fasquia.