Pedro Pablo Pichardo salta para a medalha de prata nos Europeus de Birmingham (FPA/Sportmedia)
Pedro Pablo Pichardo salta para a medalha de prata nos Europeus de Birmingham (FPA/Sportmedia)

Pedro Pichardo e a prata europeia: «Valeu a pena, nem sempre se ganha!»

Triplista português falou da rivalidade com o novo campeão europeu, o italiano também de origem cubana Andy Díaz e explicou ainda o motivo de ter abdicado dos três últimos saltos

Pedro Pichardo conquistou a medalha de prata no triplo salto nos Europeus, em Birmingham, superado apenas pelo italiano Andy Díaz, que realizou o quarto melhor salto da história da modalidade. O atleta português disse que «valeu a pena» ter competido e sublinhou que «nem sempre se ganha».

O triplista, que procurava juntar o título europeu ao mundial, entrou forte na competição, alcançando a melhor marca pessoal da época logo no primeiro ensaio, com 17,76 metros. Contudo, a liderança foi breve. Andy Díaz, bicampeão mundial de pista coberta, respondeu no segundo salto com uma marca impressionante, que resolveu desde logo a final. O pódio ficou completo com outro italiano, Andrea Dallavalle, vice-campeão mundial em Tóquio 2025, que garantiu o bronze com um salto de 17,37 metros.

Após o salto inicial, Pichardo não conseguiu melhorar, registando 17,50 e 16,99 metros antes de abdicar das restantes tentativas. O atleta explicou que a decisão não se deveu à marca do adversário, mas a um problema físico. «Abdiquei porque os tornozelos não se comportaram bem hoje. Do nada, comecei a sentir umas dores no tornozelo, logo depois do primeiro salto», justificou, acrescentando que o seu treinador o aconselhou a parar.

Esta é a segunda vez consecutiva que Pichardo fica com a prata num Europeu, depois de em Roma-2024 ter sido batido pelo espanhol Jordan Díaz. Ainda assim, o campeão olímpico de Tóquio 2020 mostrou-se satisfeito. «Acho que foi uma boa competição. O Andy fez um bom salto, historicamente um dos melhores no triplo. Fico feliz e contente por ter contribuído para esses feitos», reconheceu.

Pichardo confessou que decidiu competir em Birmingham motivado pelas declarações de Andy Díaz, também de origem cubana, que se autoproclamou o melhor do mundo. No final, o balanço foi positivo: «Não ganhei, mas valeu a pena. Saio daqui com mais uma medalha no meu currículo. E, eh, pá, estou feliz. Obviamente, eu sempre quero ganhar, mas também sou consciente que nem sempre se ganha».

Com os olhos postos no futuro, o atleta de 33 anos já pensa nos Jogos Olímpicos de 2028. «Estamos a tentar fazer de tudo para chegar bem a Los Angeles e, pelo menos, lutar por uma medalha. Por isso, vamos escolher as competições, vamos tentar fazer menos competições possíveis, para poupar o corpo», afirmou, admitindo que a reforma do triplo salto pode estar próxima.

Com esta medalha, Portugal passa a somar seis pódios no triplo salto em Campeonatos da Europa, igualando a maratona. Apenas os 10.000 metros, com sete medalhas, têm um registo superior. Recorde-se que, além das conquistas de Pichardo, também Nelson Évora (Berlim 2018) e Patrícia Mamona (Amesterdão 2016) já se sagraram campeões europeus na disciplina.

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