Paulo Bento analisa alvo do FC Porto: «Nunca é bom comparar, mas...»
O mercado do FC Porto ainda não entrou na etapa de aceleração que André Villas-Boas, presidente dos dragões, apontou recentemente para uma fase mais adiantada do verão. Contudo, a SAD tem alvos identificados e vai estudando os próximos passos a dar, nomeadamente no que diz respeito a Hwang In-beom, um dos jogadores referenciados como potencialís reforços para o meio-campo. Velho conhecido de Francesco Farioli — os dois coincidiram na Eredivisie em 2024/25 —, o centrocampista de 29 anos, que atua no Feyenoord, apresenta um perfil interessante e sobretudo diferente daqueles que o treinador portista tem à disposição atualmente no setor.
Como tal, A BOLA procurou auxílio para fazer o raio-X às caraterísticas do internacional sul-coreano e consultou Paulo Bento, um dos impulsionadores da carreira do atleta. Ao atender o telemóvel, o antigo selecionador não escondeu a satisfação: «É um gosto falar sobre o In-beom.» Afinal, foi o treinador português que lançou Hwang, então com 21 anos, na seleção A da Coreia do Sul, em 2018. «O que retirei dos quatro anos que trabalhei com o In-beom, e também com os outros jogadores, é uma capacidade de trabalho muito grande, assim como um grande respeito pela hierarquia e uns pelos outros. É algo caraterístico», vincou Paulo Bento ao nosso jornal.
«Depois é um jogador com uma capacidade de trabalho incrível, alguém que entende o jogo muito bem, também do ponto de vista defensivo. Não se destacando no ponto de vista da corpulência, é agressivo nos duelos, um jogador que não tem medo», enaltece o técnico de 57 anos, estabelecendo comparação com um ex-FC Porto... com as devidas reservas: «Nunca é bom comparar, mas assemelha-se um pouco ao que era o João Moutinho. Como dizem os espanhóis, as comparações são sempre odiosas, mas iria por aí.»
Em termos táticos, Paulo Bento não duvida: Hwang In-beom pode vir a ser trunfo precioso para Farioli. «É muito evoluído. Dou o exemplo: num 4x2x3x1, pode jogar como número 10 ou no duplo pivô. Se se quiser jogar com características diferentes na posição 6 de um 4x3x3, ele pode fazê-lo com qualidade e facilidade, fruto do entendimento tático que tem e da execução técnica que apresenta», detalha o treinador, que também vê o médio à vontade «em qualquer posição de um losango».
Sem querer antecipar-se ao mercado, Paulo Bento vê o ex-pupilo pronto para dar o salto. «Diria tranquilamente e com convicção que o In-beom é um jogador que encaixaria em qualquer um dos três grandes do futebol português. E já o defendo há algum tempo. Já esteve no Olympiakos, no Feyenoord... Com todo o respeito, esta possibilidade [FC Porto] é um patamar acima e para o qual estaria preparado. Não tenho a menor dúvida», analisa o ex-selecionador, certo de que, caso o dossiê avance, a adaptação de Hwang ao novo contexto não será um problema. «Fala inglês com facilidade. Está na Europa há mais de cinco anos e já passou por Rússia, Grécia, Sérvia e Países Baixos, onde trabalhou com vários treinadores, de várias nacionalidades. Não me parece, de todo, um problema», remata Paulo Bento.
«Príncipe ou filho, de certo modo...»
Ao longo dos quatro anos que passou ao leme da seleção da Coreia do Sul, Paulo Bento desenvolveu uma «forte empatia» com grande parte dos jogadores que lá treinou. Hwang In-beom não foi exceção e até ficou conhecido como o Príncipe de Bento. «É algo que também saída do próprio grupo, porque os outros também vão vendo e brincando... Os colegas, provavelmente na brincadeira, iam dizendo que o In-beom era o Príncipe ou, de certo modo, que seria um bocadinho o meu filho. Todas essas situações foram dando para se criar a tal boa relação e para se criar o rótulo, mas no bom sentido», explica Paulo Bento.
«O In-beom foi um dos jogadores que captou logo a atenção e a empatia foi-se desenvolvendo. São sentimentos que se criam como parte de um processo longo. Essa ligação continua a existir e ainda hoje mantenho contacto, não só com ele, mas com muitos outros jogadores. É uma ligação que ficará para a vida», sublinha o treinador português, a A BOLA.
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