Edinho em lágrimas
Edinho em lágrimas

Edinho em lágrimas após morte de Manú: «Deixaste-me um peso enorme nos braços»

Antigo internacional português jogou com Manú no AEK Atenas e fez reflexão sobre a vida

Edinho, antigo internacional português e colega de equipa de Manú nos gregos do AEK, reagiu à morte do antigo jogador do Benfica, aos 43 anos, vítima de acidente de viação, na noite de sábado, em Vermões, Sobral de Monte Agraço. Nas redes sociais, Edinho partilhou duas publicações e um vídeo visivelmente emocionado.

«Há notícias que nos param o coração. Ontem perdi mais que um amigo, um irmão. Conheci o Manú mais de perto quando cheguei ao AEK Atenas. Fui contratado para jogar na posição dele, mas, em vez de ver em mim um rival, viu uma pessoa. Num mundo onde o ego tantas vezes fala mais alto, ele escolheu a humildade, a lealdade e a amizade. Nunca esquecerei tudo o que fez por mim e pela minha família. Cuidou da minha esposa (grávida de 8 meses) quando estávamos longe de casa, preocupava-se connosco como se fôssemos da sua própria família. Esse era o Manú: um homem de coração gigante. Há poucos dias falámos. Pensávamos voltar a encontrar-nos nos Legends. A vida decidiu de outra forma. A tua partida deixa uma dor imensa, mas também uma lição que nunca esquecerei: o maior legado que podemos deixar não são os títulos nem os troféus, mas a forma como fazemos os outros sentir. Abracem mais. Digam 'amo-te' mais vezes. Passem tempo com quem vos faz bem. Porque um dia, sem sabermos, damos o último abraço. Descansa em paz, meu irmão. Obrigado por tudo. Nunca serás esquecido. Até um dia, Manú. Meu Catxau», escreveu o ex-jogador, numa primeira publicação.

Mais tarde, num vídeo, Edinho, desolado, não segurou as lágrimas ao recordar Manú e ao fazer uma reflexão sobre a vida.

«Há notícias que nos partem apenas... Não partem apenas o coração, mas partem as desculpas também. Parte aquela ilusão que ainda há tempo, que ainda podemos fazer algo. 'Amanhã... encontrarei o melhor momento'. Esqueçam isso. Esqueçam essa narrativa, porque, quando a gente perde alguém, principalmente alguém que nos aproxima, alguém de que gostamos volta aquela pergunta: 'E se hoje fosse o meu último dia? Estaria eu verdadeiramente a viver?' Porque nós passamos anos a correr atrás de sonhos, de dinheiro, conhecimento, fama, o que seja... Conquistamos carros, luxos, e está tudo certo, está tudo do nosso trabalho. Mas a vida nunca foi o destino, ou nunca será o destino. A vida sempre será o caminho e, no meio dessa corrida, adiamos o abraço, adiamos a visita... 'Eu gosto de ti, és importante para mim'. Adiamos. 'Qualquer dia eu apareço. Ai, vou ver se arranjo tempo e vou... Vou passar'. Como se o tempo nos pertencesse. Não pertence, e o o único momento que realmente temos é este. Eu, mais uma vez com a perda, acabo de me recordar disso. No fim, é isso que fica», começou por refletir.

«Ninguém será lembrado pelo saldo da conta bancária, pelos títulos que tem, por aquilo que possui... Ninguém neste mundo dizia que gostava de ter trabalhado mais. Mas muitos, muitos partiram. E muitos ficam lá a pensar que eu não vou ser mais, porque não a amo mais, porque deixei o orgulho roubar-me pessoas que eu amava. A alta morte é uma honestidade brutal. Ela coloca tudo no lugar. Tudo. O tempo é o bem mais precioso da existência, o único que não podemos comprar de volta. Por isso, não esperes por amanhã, abraça hoje, cuida hoje, respeita hoje e liga hoje. Porque um dia haverá um último abraço, uma última conversa, e nesses dias não haverá oportunidade de voltar atrás. E se há uma forma de eu honrar quem partiu, não é apenas a chorar por ele, pela sua ausência. É viver de maneira que faça com que a sua passagem por este mundo continue a ser lembrada», desabafou, acrescentando na publicação: «Deixaste-me um peso enorme nos braços irmão! Mas cuidarei do teu filho como meu como um dia fizeste com meu antes mesmo de nascer e daí em diante. A tua memória estará sempre presente nele. Olha por todos nós.»

Emanuel Jesus Bonfim Evaristo nasceu a 28 de agosto de 1982 em Setúbal. Manú, como era mais conhecido, foi formado no Vitória Futebol Clube, Grupo Desportivo O Sindicato e Alverca. O extremo estreou-se na Liga ao serviço dos ribatejanos a 5 de maio de 2002, contra o SC Braga e disputou o primeiro de 130 jogos na prova. Manú representou os italianos do Modena e do Carpenedolo (2004/05) e o Estrela da Amadora (2005/06), antes de integrar o plantel do Benfica em 2006.

Momentos de Manú no futebol português

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O antigo extremo rubricou 17 jogos pelas águias em 2006/07, antes de rumar ao AEK por empréstimo, na temporada seguinte. Manú representaria Marítimo, Légia de Varsóvia (Polónia), Beijing Guoan (China) e Ermis Aradippou (Chipre) antes de regressar ao Vitória de Setúbal em 2014. 14 jogos pelo clube da terra natal depois, Manú regressou ao Ermis Aradippou. O extremo terminou a carreira em 2018/19, após passagens por Cartaxo e Vilafranquense.

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