Parecia tudo tão fácil e acabou tão tremidinho... (crónica)

Os dois golos antes do intervalo (inesperadamente de Denis Gul) e, sobretudo, a superioridade do FC Porto não anteviam o 'sofrimento' por que teve de passar nos últimos 15 minutos

Quase todas as dúvidas sobre o vencedor pareciam desfeitas aos 17 minutos, momento em que Denis Gul, com um potente remate na execução de um penálti, abriu o marcador. David Grilo, guarda-redes do Estrela e substituto de Renan Ribeiro (lesionado de última hora), nada podia fazer. Nem com asas.

E pouco antes do intervalo, aos 37’, parecia cair por terra qualquer réstia de incerteza sobre quem levaria para casa os três pontos. Alberto fez um cruzamento perfeito e, na área, apareceu de novo Gul a marcar o segundo e a dissipar (em teoria) as tais dúvidas. Francesco Farioli poderia fazer uma das contas de somar mais simples: 79 + 3 = 82 pontos.

Dava para ser campeão em 16/17, 19/20 e 24/25, por exemplo. Mas o FC Porto de Farioli queria mais. Queria chegar o mais rápido possível ao título e, já agora, igualar o recorde de pontos num campeonato, que pertence ao FC Porto de Sérgio Conceição: 91 em 2021/2022. Se os três jogos que faltam — Alverca e Santa Clara em casa e Aves SAD fora — fossem tão simples como o primeiro tempo da visita ao Estrela da Amadora, o recorde seria igualado.

Os 45 minutos iniciais foram quase um passeio para o líder. Os dragões entraram em campo autoritários, a superioridade até ao intervalo foi inequívoca e as dificuldades do Estrela para parar a forte dinâmica do meio-campo azul e branco eram gritantes.

O setor intermediário estrelista era quase um passador, incapaz de estancar a fluidez dos médios e alas do FC Porto — nem, claro, o inesperado faro de golo de Denis Gul. Até ao descanso, o Estrela apenas teve uma ténue oportunidade para criar perigo, quando Kevin Jansson rematou de fora da área, com a bola a sair muito por cima da baliza de Diogo Costa.

A segunda parte começou igual à primeira: domínio do FC Porto, com mais intensidade e algumas jogadas perigosas junto da área adversária. Pouco a pouco, porém, o jogo partiu-se. Logo ao minuto 58, os tricolores poderiam ter chegado ao golo, quando Abraham Marcus enviou a primeira bola ao poste da baliza de Diogo Costa. Quatro minutos depois, duplo susto seguido para o FC Porto: Stoica e, de novo, Marcus enviaram mais duas bolas aos ferros.

Farioli viu o perigo e voltou a mudar. Se antes destes dois remates trocara Pepê por William Gomes e Gul por Moffi (com o brasileiro a mandar também uma bola ao poste), o treinador italiano fez sair Alberto Costa e Gabri Veiga para entrarem Martim Fernandes e Rodrigo Mora.

Aos 79 minutos, por fim, as trocas de João Nuno, treinador do Estrela, deram resultado: Sydney van Hooijdonk (entrou aos 73’) executou um livre lateral sobre a esquerda e Jovane Cabral (entrou ao intervalo) apareceu a desviar, ligeiramente, para o fundo das redes.

Até ao final, o Estrela continuou a procurar o empate, enquanto o FC Porto apostou, sobretudo, no contra-ataque em busca de um bem mais tranquilo 3-1. Não houve mais golos, mas o que parecia ter sido um autêntico passeio para os dragões terminou de forma bem tremida. Mas os três pontos, que são o mais importante, vão para o Dragão: 79+2 = 82.