Jorge Martín
Jorge Martín - Foto: IMAGO

«Parecia mais um vulcão do que uma pista»

Jorge Martín garantiu um lugar direto na Q2 em Assen, apesar de uma queda aparatosa a 174 km/h e de um calor abrasador, com o asfalto a atingir os... 51 graus

Num dia de calor atípico no circuito de Assen (Países Baixos), com 36 graus de temperatura ambiente e 51 no asfalto, Jorge Martín conseguiu o nono lugar, assegurando a passagem direta à Q2 de MotoGP. O piloto da Aprilia sofreu uma queda a alta velocidade, mas escapou ileso.

«Hoje parecia mais um vulcão do que uma pista. Estava muito calor e também saía muito calor da mota. Não me lembro de sentir este calor noutros sítios», afirmou Martinator, comparando a sensação a condições mais extremas que as vividas na Ásia. «Sofro mais com isto do que com a humidade. Mas é igual para todos. Temos de nos adaptar, preparar bem com a alimentação, o descanso e tudo, porque é claro que não se recupera da mesma forma de um dia assim», acrescentou.

Sobre a queda, o piloto explicou que tentava gerir a temperatura dos pneus. «Vinha tranquilo, porque não queria sobreaquecer o pneu de trás. É um problema que temos: se saio da box a fundo, a meio da volta tenho problemas de temperatura. Tentei ir com calma e talvez isso tenha feito com que não transferisse bem o peso para a frente, a traseira empurrou-me um pouco e caí», detalhou.

Martín considerou-se com sorte por não ter sofrido lesões. «Tive muita sorte porque havia relva. Tentei virar-me como pude, parar com os cotovelos e as mãos para não entrar muito rápido na relva e não aconteceu nada», descreveu, elogiando as condições da escapatória do circuito.

Questionado sobre o que se pensa durante uma queda a essa velocidade, respondeu: «Vais a dizer ‘não, não, não, não… fogo, fogo, fogo…’. Torna-se longo, mas, como disse, tentei cravar os cotovelos e as mãos, queimei-me na palma da mão para tentar parar o máximo possível e não entrar rápido na relva. Felizmente não havia gravilha, o que teria sido um problema...»

O piloto espanhol sente que reencontrou boas sensações, atribuindo a melhoria a uma alteração na parte dianteira da mota. «Esta pista favorece-me. Assim que experimentei uma coisa na parte da frente esta manhã, vi logo que era muito mais rápido. Pelo menos a roda dianteira dava-me mais informação e já sei até onde posso ir», explicou, acreditando que com a mota atual teria sido «muito mais competitivo» em Brno.

Apesar do bom momento, Jorge Martín não acredita que esteja de volta à sua melhor versão. «Não creio. Tento sempre ser a minha melhor versão, mas sinto que o binómio [piloto-mota] ainda não está a 100%. Falta-me um pouco. Acho que estamos num bom momento e tenho hipóteses de lutar pelo pódio. É uma opção realista, mas não como em Le Mans, onde estava a lutar pela vitória», explicou.

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