Palhinha com Prestianni no Mundial de Clubes de 2025 (MIGUEL NUNES)
Palhinha com Prestianni no Mundial de Clubes de 2025 (MIGUEL NUNES)

«Palhinha não vai ser o salvador da Pátria»

Treinador Vítor Manuel acredita que o Benfica tem jogadores, mesmo sem Palhinha, que podem fazer com que o adversário não chegue à sua área e crie grandes perigos

— Que pode João Palhinha trazer de diferente a este Benfica?

— O Marco é que é o treinador e ele sabe, melhor do que ninguém, do que precisa a equipa. Ele acha que o Benfica precisa de um jogador com este perfil e só temos de aceitar. Porém, o Benfica tem produzido exibições de muita qualidade, fundamentalmente no momento ofensivo, e no momento defensivo não me parece que tenha tido grandes lacunas. Agora, isto parece quase uma moda: tem de se ter um 6 para equilibrar. O Benfica tem de ter equilibradores, sim, mas quem equilibra é a equipa toda, não apenas um jogador. O Benfica está a dar passos em frente dentro desse equilíbrio no momento da perda da bola. Barrenechea, por exemplo, está cada vez mais jogador, mais confiante e com um rendimento constante. Richard Ríos não é um 6 porque é um bocadinho anárquico, mas também é preciso ter jogadores com essas características. E agora volta a ter o Aursnes, que é um '8' que pode jogar a '10'. O Benfica tem jogadores, mesmo sem Palhinha, que podem fazer com que o adversário não chegue à sua área e crie grandes perigos.

— Então Palhinha não faz falta ao Benfica?

— Não foi o que eu disse. Palhinha pode ser importante nas bolas paradas, sem dúvida, além de que está muito melhor com bola. Não estou a pôr em causa o valor do Palhinha para ser uma mais-valia a curto prazo, mas o Benfica tem dentro do plantel jogadores a dar sinais de que podem perfeitamente fazer essa posição. O Benfica não perde rendimento, ganha rendimento até com bola, embora Palhinha esteja muito melhor a jogar com ela. O Benfica vai ser campeão com o Palhinha? Não sei, talvez. Poderia ser campeão sem o Palhinha? Não sei, talvez. O Benfica ganhou quando teve Fejsa, Javi García ou Matic atrás, sim, mas também ganhou quando teve Enzo Pérez.

— O Benfica tem jogado preferencialmente num 4x2x3x1. Pode alterar alguma coisa com a chegada de Palhinha?

— Sudakov vai manter-se no onze? Se calhar, vai cair. Com Palhinha no corredor central, o Benfica pode, se calhar, prescindir de um terceiro médio. Ou fazer com que o terceiro médio seja mais um segundo avançado, por exemplo. Já tem o Barreiro, que para mim é um box-to-box, faz golos e aparece em zonas ofensivas. No momento da perda da bola, ele já está a recuperar posições defensivas. É um jogador que joga fácil e simples. Não se dá muito por ele, mas é de uma importância vital. Agora está a reaparecer o Aursnes. O Benfica talvez pudesse ser feliz sem o Palhinha, mas percebo a dimensão que a sua contratação pode trazer também junto dos adeptos.

Vítor Manuel, treinador de futebol (MIGUEL NUNES)

— Tirando os quatro defesas e o guarda-redes, quais são os seis da frente que colocaria em campo?

— Atendendo ao perfil dos jogadores deste plantel, o 4x2x3x1 faz todo o sentido. Punha o Prestianni na direita, o Schjelderup na esquerda e o Rafa nas costas do Pavlidis. Atrás, Barrenechea e Aursnes. Com Palhinha, metia Palhinha e Aursnes no corredor central e talvez optasse por um 4x4x2 clássico — como o grande Benfica usou nos anos 60, 70 e 80 —, com Rafa e Prestianni (ou Schjelderup) nas alas e, na frente, Durán e Pavlidis. Por fim, deixe-me dizer que o excesso de mediatização da contratação de Palhinha pode transformar-se em demasiada responsabilidade para o jogador, enquanto os outros médios poderão pensar que para pouco contarão. Palhinha não vai ser o salvador da pátria e, se o Benfica não for campeão, pode tornar-se num bode expiatório.

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