IPC permite que a bandeira da Rússia pode voltar a ser  exibida - IMAGO
COI permite que a bandeira da Rússia pode voltar a ser exibida - IMAGO

Países Baixos cancelam Europeu de Natação Paralímpica devido a atletas russos e bielorrussos

Em causa está a permissão de utilização das respetivas bandeiras

A Federação Neerlandesa de Natação (KNZB) anunciou que não irá organizar o Campeonato da Europa de Natação Paralímpica, previsto para o final deste ano. A decisão surge na sequência da exigência do Comité Paralímpico Internacional (IPC) de que os atletas russos e bielorrussos possam competir sob as próprias bandeiras.

Arnoud Strijbis, diretor da KNZB, confirmou que a medida foi tomada em consulta com os ministérios governamentais em Haia. O Ministério da Saúde, Bem-Estar e Desporto dos Países Baixos corroborou a desistência, explicando a posição.

«Os Países Baixos não querem um Europeu de paranatação onde russos e bielorrussos (sob a sua própria bandeira e hino) participem. A participação sob uma bandeira totalmente neutra e sem hino é permitida», declarou o ministério.

Strijbis reforçou que a exigência do IPC para que os atletas competissem com os símbolos nacionais foi o ponto de rutura: «Concluímos, portanto, que não podíamos cumprir o que eles queriam estipular no contrato.»

A decisão de cancelamento deixa o futuro do campeonato em aberto, sem que se saiba se e onde a competição se irá realizar. Esta incerteza poderá ter consequências desportivas significativas para os nadadores que ambicionam qualificar-se para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles em 2028, uma vez que o Europeu fazia parte do percurso de qualificação.

Recorde-se que a controvérsia sobre a participação de atletas russos e bielorrussos reacendeu-se recentemente, quando o IPC anunciou que estes poderiam competir sob as próprias bandeiras nos próximos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina.

Esta medida já levou a boicotes à cerimónia de abertura por parte de atletas ucranianos e austríacos, bem como de dirigentes neerlandeses e de uma parte da delegação polaca.

Apesar da contestação, Andrew Parsons, presidente do IPC, mantém a decisão firme. Numa conferência de imprensa recente, Parsons foi claro: «A decisão não pode ser revertida. Nem por mim, nem pelos outros membros da Direção. Temos de transmitir uma mensagem de inclusão».