«Eu a tremer e o Pedroto disse-me: ‘tu é que mereces ir para o Sporting’»
Na equipa do Vitória que terminou a época 1969/70 no terceiro lugar do campeonato, atrás de Sporting e Benfica, havia muito talento. No plantel comandado pelo mítico Pedroto, além de Tomé, havia jovens promissores como Otávio Machado, Vítor Baptista, entre outros.
E já então como agora, os clubes viviam também das vendas que conseguiam fazer. Apesar de não ter particular vontade de deixar o clube que amava, Fernando Tomé viu-se confrontado com essa realidade quando surgiu o interesse dos dois rivais de Lisboa. E não lhe restou nada mais do que aceitar o destino que o clube lhe traçou.
«O Vitória tinha de abdicar de alguém. Havia outros três ou quatro jogadores que poderiam ter saído também. Mas recaiu em mim a escolha. Depois da época espetacular que tínhamos feito, o senhor Pedroto chegou ao pé de mim e ainda tenho gravadas aquelas palavras: ‘Tu é que vais, porque tu é que mereces’. Esticou-me a mão, cumprimentou-me. E eu ali fiquei, com pele de galinha, a tremer», recorda.
Só mais tarde, o então médio ficou a saber que com o valor que o clube recebeu por ele, conseguiu colocar iluminação no Estádio do Bonfim, em cuja inauguração, oito anos antes, Fernando Tomé tinha sido uma das crianças a desfilar. Permitindo assim que o Vitória pudesse atuar em casa nos jogos europeus que até então disputava na Luz ou em Alvalade.
Aquilo que Fernando Tomé garante é que não teve qualquer poder de decisão no seu futuro.
«Na altura havia a lei da opção e o jogador era o último a ser ouvido. Por isso é que passado uns dias dei uma entrevista ao jornal A BOLA em que dizia: ‘Foi o Vitória que escolheu entre o Benfica e o Sporting’. Eu fui contactado, mas não mexi uma palha, não escolhi quem me dava mais dinheiro, nada. O clube é que decidiu», finaliza.
Jogou depois durante seis épocas de leão ao peito, conquistando um campeonato e três Taças de Portugal, chegando também a internacional A.