Os selecionadores nacionais
Ser selecionador nacional em Portugal é, desde que a Lei Bosman levou para outros campeonatos os nossos melhores jogadores, mais fácil, porque foi erradicado, em grande medida, o vírus da clubite, que inquinava o apoio à equipa de todos nós. Os tempos mudaram. Em Espanha, por exemplo, não houve drama por não haver qualquer futebolista do Real Madrid convocado para a América do Norte pela ‘Roja’, sendo que os ‘merengues’ têm a disputar o Mundial onze dos seus craques.
São as circunstâncias do futebol moderno, que levaram a que nenhum dos jogadores marroquinos que empataram com o Brasi tivessem nascido no reino de Marrocos. Mas, sendo o trabalho dos últimos selecionadores nacionais menos complicado, não deixam de estar permanentemente sob a mira dos adeptos, cada um deles um potencial treinador.
Em 1970, a melhor seleção da história, o Brasil, começou a campanha com João Saldanha, que por não querer levar Pelé ao México e ter ideias políticas consideradas subversivas pelo regime, foi despedido. Entrou Zagallo e a ‘canarinha’ encantou o Mundo, sem críticas nem defeitos encontrados. Mas vi o mesmo Mário Lobo Zagallo quase chegar a vias de facto com um jornalista na Copa América de 1997, ou seja, ser selecionador ganhador não garante rigorosamente nada, se a seguir não houver resultados.
Um ano depois, em França, vi a mesma cena repetir-se com Javier Clemente, de Espanha (coisa mesmo feia!), e nesse mesmo 1998 Aimé Jacquet levou a França ao seu primeiro título mundial, aguentando as diatribes constantes da poderosa imprensa gaulesa.
Se é assim com todos, porque haveria de ser diferente com Roberto Martinez? Enquanto Portugal estiver em competição haverá sempre quem alvitre (eu próprio o farei, inevitavelmente) que devia ser dado descanso a este ou àquele, que o sistema não é o que melhor serve a Seleção Nacional, que o onze não foi bem escolhido, atendendo ao adversário, e por aí fora. Faz parte.
Uma coisa é certa: haverá, penso, oito seleções que podem levantar a Taça, e Portugal é uma delas. Mas só uma vai fazê-lo. O que significa que estaremos perante fins de ciclo para muitos. E talvez valha a pena lembrar Scolari em 2002, campeão do Mundo, que preferiu vir para Portugal a continuar no Escrete…
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…