Rui Costa, presidente do Benfica — Foto: Lusa
Rui Costa, presidente do Benfica — Foto: Lusa

O que esperar de Rui Costa nas AG

Há duas Assembleias Gerais hoje para debater o Benfica e o presidente dos encarnados deve estar preparado para a contestação e para dar uma visão do futuro

O Benfica 2026/27 arrancou na quinta-feira, mas hoje tem um momento importante para a convivência dentro de portas. Está em causa mais do que o futebol, é verdade, e até pode parecer injusto para o futsal que decide o campeonato com o rival Sporting, mas as duas AG que hoje têm lugar somam importância no universo encarnado. A primeira vai ser para debater o desempenho desportivo de 2025/26 e aí, como se sabe, Rui Costa não pode fugir à frustração dos adeptos. O discurso tem de começar por reconhecer que o 3.º lugar no campeonato e a queda para a Liga Europa estão abaixo dos pergaminhos do clube e de um desígnio eleitoral apresentado nas últimas eleições de estar sempre presente na Champions. A maneira de resolver? Apontar ao título e à candidatura à Liga Europa.

Esta é a fase de maior ilusão dos adeptos ou, usando uma palavra melhor, de maior expectativa. Esse é um fator que joga em benefício do presidente encarnado; mas há outros. O melhor Rui Costa viu-se quando falou à imprensa. Os adversários políticos podem não gostar, podem contra argumentar, mas a verdade é que a mensagem, ou a imagem, passa. Foi assim nas eleições, foi assim na última conferência de imprensa. Poderá ser assim hoje, embora esteja sempre dependente do público que aparece. De uma vez por todas, o Benfica tem de entender que falar apenas nos meios do clube não é propriamente o mesmo que falar para órgãos de comunicação social independentes. Rui Costa, aliás, ganhou com isso na última conferência. Posto isto, o líder do Benfica tem coisas a fazer hoje. A primeira, como já fez, assumir o fracasso da época passada (usará o argumento da arbitragem que aqui não se expõe). Mas imediatamente legitimar Marco Silva, não como penso rápido, mas como algo duradouro. Entre futebol e promessas eleitorais, estão os meninos da casa e Rui Costa deve lembrar que na ótica de promover o Seixal tem proposta feita a António Silva. Depois, na segunda metade do dia, ou seja, na AG do investimento, terá de justificar o orçamento à luz da promessa eleitoral da meta dos 500M€ de receita. Obviamente, estes não são para agora, mas este orçamento é também um caminho para eles e na AG estará quem lhe lembre aquele número.

Mário Branco assumiu que o Benfica está prestes a fechar o substituto de Otamendi, algo a somar ao argumentário de Rui Costa - a expectativa aqui até joga a seu favor - e depois tem de se colocar um momento transitório. Do desempenho desportivo, de toda a reflexão da época 2025/26, para a AG seguinte, às 14h00, e o que vem aí: o apelo à união face às pré-eliminatórias da Liga Europa em julho e consequente aprovação do investimento do clube, porque tudo anda ligado. Em suma, Rui Costa não pode ser apenas alguém que apresenta números ou argumentos sobre o passado; tem de ser o líder que absorve a contestação, que existirá, assume falhas na época anterior e injeta nos sócios a convicção de que a estrutura aprendeu com os erros e que o compromisso com o Benfica está em marcha sob o comando de Marco Silva.

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