Mundial
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Quando preparo um jogo, raramente começo pelos jogadores. Começo pelas relações que existem entre eles. Porque uma equipa não vive apenas da qualidade individual. Vive das conexões que cria dentro do jogo.
Se me perguntassem como prepararia Portugal para defrontar a Colômbia, a minha resposta seria simples: procuraria quebrar as conexões que alimentam o futebol colombiano, sem nunca perder a identidade da nossa equipa.
A Colômbia chega a este encontro com duas vitórias, quatro golos marcados e apenas um sofrido. Mais do que os resultados, impressiona pela forma como joga. Néstor Lorenzo construiu uma equipa intensa, organizada e emocionalmente muito forte. Não depende apenas do talento de Luis Díaz, James Rodríguez ou Daniel Muñoz. Depende da forma como estes jogadores se relacionam dentro do jogo.
A primeira conexão que procuraria limitar seria a de James Rodríguez. Continua a ser o cérebro da equipa. Sempre que recebe entre linhas, encontra soluções, muda o centro do jogo e aproxima Luis Díaz das zonas de decisão. Mais do que uma marcação individual, procuraria retirar-lhe tempo e espaço para pensar.
A segunda conexão está em Luis Díaz. É um jogador capaz de decidir um jogo num único lance. Não o defenderia apenas com um jogador. Exige coberturas permanentes, proximidade e coordenação coletiva. O objetivo não seria apenas impedir que recebesse a bola, mas evitar que a recebesse nas condições em que faz a diferença.
A terceira ligação surge com Daniel Muñoz. O lateral do Crystal Palace é uma das grandes armas ofensivas da Colômbia. Ataca como um extremo, aparece frequentemente em zonas de finalização e já marcou dois golos neste Mundial. Mas essa vocação ofensiva também deixa espaço nas suas costas. Portugal terá de ter inteligência para explorar esse corredor sempre que recuperar a bola.
No futebol de alto rendimento, há uma ideia que me acompanha há muitos anos: os jogos não se decidem apenas pela qualidade dos jogadores. Decidem-se pela qualidade das relações que conseguem construir dentro do jogo.
É por isso que, se fosse eu a preparar esta partida, não passaria a semana obcecado com Luis Díaz ou James Rodríguez. Passá-la-ia a estudar as ligações que tornam esta Colômbia uma equipa tão competitiva. Porque os grandes jogadores podem decidir um lance. Mas são as conexões entre eles que decidem muitos jogos.
Portugal tem qualidade para vencer. Mas, para o conseguir, terá de impedir que a Colômbia jogue o jogo que mais gosta. Terá de quebrar as suas conexões sem perder as suas próprias.
No fundo, é isso que eu procuraria fazer. Porque, no futebol moderno, não basta marcar jogadores. É preciso compreender sistemas. E, muitas vezes, é aí que nasce a vitória.