Os números e sinais de um Benfica renascido
Bruno Lage alertou para o perigo da euforia depois da vitória por 4-0 frente ao Atlético de Madrid, quarta-feira, na 2.ª jornada da fase de liga da Champions, mas, além do brilho da exibição e da goleada conseguida frente a uma das melhores equipas da Europa, é difícil não valorizar uma conclusão clara e sustentada em números: o melhor Benfica está de volta.
Depois do início de época com duas vitórias em quatro jogos (mais uma derrota e um empate, respetivamente frente a Famalicão e Moreirense, na Liga), cinco golos marcados e três sofridos, ainda sob a orientação de Roger Schmidt, a equipa dá sinais de ter renascido com Bruno Lage. Vence há cinco jogos seguidos (Santa Clara, Estrela Vermelha, Boavista, Gil Vicente e Atlético Madrid), marcou 18 golos e sofreu três. A média de golos marcados por jogo subiu de 1,3 para 3,6 e a média de golos sofridos desceu de 0,8 para 0,6.
Comparando com o entusiasmante arranque de 2022/23, quando o Benfica venceu 13 jogos consecutivos (e no final conquistou o campeonato) com Schmidt ao leme, nos cinco primeiros jogos os encarnados marcaram 14 golos e sofreram dois golos, o que dá uma média de 2,8 golos marcados por jogos e de 0,4 sofridos.
Voltando aos 18 golos marcados desde que Lage chegou, 15 surgiram dentro da área e oito foram alcançados na sequência de lances de bola parada (dois de penálti), quase metade, o que indicia trabalho realizado também neste domínio.
Nestes cinco jogos, os golos foram de 11 jogadores — Akturkoglu (4), Kokçu (3), Di María (2), Florentino (2), Pavlidis (1), Amdouni (1), Arthur Cabral (1), Bah (1), Rollheiser (1), Otamendi (1) e António Silva (1) —, curiosidade que surge em sintonia com uma ideia de que Lage tem passado com insistência: a equipa acima de qualquer individualidade.
Os jogadores mostram perceber a mensagem e exibem-se com alegria, cada vez mais alinhados com a alteração tática promovida igualmente pelo novo treinador. Com Schmidt a equipa partiu quase sempre de um esquema 4x2x3x1; com Lage tem se apresentado em 4x3x3, embora no último desafio, frente ao Atlético, se tenha posicionado mais próxima do 4x4x2.
A MENSAGEM PASSA
A forma como os jogadores se têm manifestado no relvado e fora dele também é um sinal da união no balneário e que surge depois nos jogos. A interação do plantel nas redes sociais, ou o almoço fora do Seixal promovido na semana passada pelo capitão Otamendi — sem elementos da equipa técnica e ao qual só faltou o lateral-direito Issa Kaboré, ausente para tratar de assuntos burocráticos —, são outros indicadores do ambiente saudável que agora existe na equipa.
Neste sentido, foram vários os jogadores que assumem publicamente estar felizes com as mudanças. «Agora posso dizer que adoro jogar aqui, adoro jogar neste sistema. [...] Temos uma fantástica equipa, equipa técnica», disse Kokçu depois da goleada ao Atlético Madrid na Champions.
«Quando estamos mais compactos é mais fácil preencher espaços e recuperar bolas», destacou Florentino, também após vitória frente aos espanhóis. «Com Bruno Lage, voltámos à cultura do clube de jogar mais ofensivo e de irmos mais diretos à baliza, que é o que nos faz ganhar os jogos», disse Álvaro Carreras na antevisão do jogo europeu. Este momento, com Bruno Lage, depois de um início de época difícil, recuperou jogadores e, fundamental, voltou a ligar a equipa aos adeptos, que se têm manifestado com fervor nos estádios.