Maguire alega que a sua irmã mais nova foi drogada num espaço de diversão noturna em Mykonos
Maguire alega que a sua irmã mais nova foi drogada num espaço de diversão noturna em Mykonos

Maguire recusou pagar suborno de 50 mil euros para que o caso de agressão a polícias desaparecesse

Caso aconteceu em 2020, durante as férias do jogador em Mykonos

Harry Maguire, defesa do Manchester United e da seleção inglesa, foi considerado culpado de agressão não grave e resistência à detenção, recebendo uma pena de prisão suspensa de 15 meses. O veredito surge na sequência de uma altercação ocorrida durante umas férias em família em Mykonos, em agosto de 2020.

Apesar da decisão, o jogador de 33 anos, que não esteve presente na repetição do julgamento na ilha de Syros por estar a preparar o jogo da sua equipa contra o Newcastle, prepara-se para recorrer ao Supremo Tribunal da Grécia. A condenação foi decidida por dois juízes, enquanto um terceiro votou pela sua absolvição.

Fontes próximas do processo alegam que, na altura em que o caso 'rebentou', foi repetidamente sugerido a Maguire que um pagamento de 50 mil euros aos polícias poderia resolver o caso. No entanto, o internacional inglês terá recusado categoricamente a proposta, insistindo em limpar o seu nome, o que levou à repetição do julgamento na passada quarta-feira, que manteve o veredito de culpado.

«O Maguire prefere ser considerado culpado a pagar um suborno. Nenhum pedido de desculpas ou pagamento será feito e o Harry vai limpar o seu nome. Ele não vai parar de lutar até que isso aconteça e irá ao Supremo Tribunal se for preciso», disse fonte próxima do processo ao Daily Mail. A mesma fonte acrescentou que a proposta de acordo extrajudicial partiu de polícias à paisana envolvidos na altercação de 2020.

Os advogados que representam os agentes da polícia negam, por sua vez, as alegações de tentativa de suborno. Num comunicado, afirmaram que esperavam «no mínimo, um pedido de desculpas por parte do arguido», considerando a ausência desse gesto «reveladora do seu caráter».

Recorde-se que o caso começou durante umas férias de verão, um ano após a sua transferência de 85 milhões de euros do Leicester para o Manchester United. A defesa de Maguire alega que o incidente foi espoletado quando a sua irmã, Daisy, foi abordada por dois homens albaneses que lhe injetaram uma substância desconhecida, fazendo-a desmaiar.

Numa entrevista à BBC em 2020, Maguire relatou que, ao tentarem levar a irmã ao hospital, foram desviados para uma esquadra, onde terão sido agredidos por agentes à paisana. «O meu pensamento inicial foi que estávamos a ser raptados. Eles começaram a bater-nos... a dizer que a minha carreira tinha acabado», afirmou na altura, descrevendo a situação como «horrível» e sentindo «medo» pela sua vida.

A acusação, por outro lado, sustentou que Maguire empurrou um polícia que o tentava algemar, causando-lhe ferimentos, e que ofereceu dinheiro aos agentes para o deixarem ir, alegações que o jogador classificou como «ridículas». Maguire nega ter de pedir desculpa, afirmando: «Um pedido de desculpas é para quando se fez algo de errado.»

O processo judicial de Harry Maguire na Grécia, que já se arrasta desde 2020, sofreu novo revés, mas a defesa do jogador do Manchester United mantém-se otimista quanto ao desfecho. O novo julgamento, que tem sido sucessivamente adiado, é visto como uma oportunidade para provar a sua inocência.

Recorde-se que Maguire foi inicialmente considerado culpado, em 2020, por agressão agravada, resistência à autoridade e tentativa de suborno, resultando numa pena suspensa de 21 meses. Contudo, de acordo com a legislação grega, a condenação foi automaticamente anulada após a apresentação de um recurso.

Desde então, o novo julgamento foi adiado por quatro vezes. O primeiro adiamento ocorreu em maio de 2023, devido à indisponibilidade do advogado de defesa de Maguire. Seguiram-se adiamentos em março e outubro do ano passado, e mais recentemente, em fevereiro de 2024, por causa de uma greve de advogados na Grécia.

A aproximação do prazo de prescrição do caso, daqui a dois anos, levantou dúvidas sobre se o julgamento chegaria a realizar-se. O jogador não foi obrigado a comparecer pessoalmente na audiência, sendo representado pelos seus advogados que procuram limpar o seu nome.