Camisola 10 não vacilou na hora de cobrar o castigo máximo e ofereceu a vitória aos bracarenses - Foto: Paulo Novais/LUSA
Camisola 10 não vacilou na hora de cobrar o castigo máximo e ofereceu a vitória aos bracarenses - Foto: Paulo Novais/LUSA

Os 11 metros do desespero e os 11 metros da felicidade (crónica)

Hugo Félix falhou penálti perto do fim, Rodrigo Zalazar marcou... de penálti na compensação. Uruguaio tinha sido vilão na Taça da Liga, agora virou herói

Dia 10 de janeiro de 2026, Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, final da Allianz Cup, minuto 90+11: Rodrigo Zalazar é chamado à conversão de um penálti, mas permite a defesa de Charles. Nesse instante, estava sentenciada a derrota do SC Braga diante do Vitória de Guimarães (1-2). Troféu perdido.

Dia 18 de janeiro de 2026, Estádio João Cardoso, em Tondela, 18.ª jornada da Liga, minuto 86: Hugo Félix assumiu a responsabilidade de bater o castigo máximo, mas Lukas Hornicek negou-lhe a festa.

Dia 18 de janeiro de 2026, Estádio João Cardoso, em Tondela, 18.ª jornada da Liga, minuto 90+2: Rodrigo Zalazar pegou na bola, encarou Bernardo Fontes e não desperdiçou o pontapé de penálti.

Assim se justificam os 11 metros do desespero e os 11 metros da felicidade. Chama-se... futebol.

Mas é preciso dizer que o sorriso que o SC Braga abriu em Tondela tem muito mais que ver com os três pontos conquistados — regresso às vitórias na Liga mais de um mês depois do último triunfo, diante do Santa Clara (1-0), por ocasião da 14.ª ronda, a 15 de dezembro de 2025 — do que propriamente com a excelência (muito longe disso) da exibição. Aliás, os arsenalistas tinham um diagnóstico bastante débil, em função do já referido desaire com o eterno rival, na final da Taça da Liga, e também do afastamento da Taça de Portugal, após a derrota (1-2) no reduto do Fafe, na passada quarta-feira. Pelo exposto, uma não vitória em Tondela confirmaria o exame: os guerreiros ficavam à Beira de um tremendo ataque de nervos (ou já estavam?).

Pau Victor quis agitar as águas e tentou marcar logo aos 11 minutos, mas foi perto do intervalo que o golo esteve iminente: canto de Dorgeles e cabeceamento de João Moutinho à barra. Na recarga, o ponta de lança espanhol viu Bernardo Fontes agigantar-se entre os postes.

O Tondela defendia bem — que bela teia montada por Cristiano Bacci, com um bloco compacto e uma linha de pressão altamente eficaz a impedir a construção dos bracarenses — e tentava as transições. Sem sucesso, ainda assim.

O melhor ficou guardado para a última meia hora. Moutinho atirou por cima (58'), Zalazar tirou tinta ao poste (68') e Ricardo Horta não ganhou a Bernardo Fontes (80').

Perto do fim, Lagerbielke foi imprudente, fez penálti sobre Hugo Félix e viu o segundo amarelo. Mas o irmão do internacional português permitiu a defesa a Lukas Hornicek.

Do outro lado, já na compensação, Bebeto derrubou Gabri Martínez e Rodrigo Zalazar tinha a caixa dos antidepressivos para aliviar os bracarenses. O internacional uruguaio passou de vilão a... herói.

Cristiano Bacci (treinador do Tondela):

Frustração. Quem ganha tem sempre razão, mas se há injustiça no futebol o jogo de hoje [ontem] foi claramente um exemplo. Defrontámos uma grande equipa, como é o SC Braga, e fizemos um grande jogo, merecemos claramente vencer.

Carlos Vicens (treinador do SC Braga):

Era um jogo difícil, a equipa vinha tocada emocionalmente, não há como esconder. Desde o início que se viu que queríamos atacar e a equipa foi insistindo. Demonstrámos mentalidade, vencemos e não posso estar mais orgulhoso da equipa.

A figura: Bernardo Fontes (Tondela)
Teve uma primeira parte mais descansada do que talvez esperasse, mas quando foi chamado a invervir fê-lo com grande nível: defesa incrível a remate de Pau Víctor (41'). Na etapa complementar passou por mais calafrios, fruto da pressão bracarense, e sobressaiu ao minuto 80, quando voou com grande estilo para impedir que o livre direto de Ricardo Horta desse golo. Só foi batido de penálti.
O melhor em campo: Rodrigo Zalazar (SC Braga)
Até podia não ter feito grande coisa durante a partida (o que não foi o caso) que era digno deste destaque: frieza máxima da marca dos 11 metros, já em período de compensação, e isto depois de estar... escaldado. Mas o internacional uruguaio tentou sempre, e por todas as vias, empurrar a equipa para a frente ao longo dos 90 minutos. Belo tiro em arco (68'), que tirou tinta ao poste esquerdo da baliza.

As notas dos jogadores do Tondela:

As notas dos jogadores do SC Braga: