Nuno e Duarte Marques contam história incrível de pai e filho que vivem na Noruega. O sonho de chegar à seleção de Portugal e um politico de sucesso
Nuno e Duarte Marques contam história incrível de pai e filho que vivem na Noruega. O sonho de chegar à seleção de Portugal e um politico de sucesso

«Optar entre Portugal e Noruega? Portugal, Portugal, Portugal»

Duarte Marques tem apenas 16 anos. Na Noruega começa a ser apontado como esperança para as balizas e o próximo passo da carreira é jogar num cube sénior, equivalente ao Campeonato do Portugal. O pai, Nuno, foi guarda-redes do Benfica, da Seleção e depois de jogar no país nórdico é hoje vice-presidente do Município de Notodden. Histórias que se cruzam. O sonho passa pela seleção e… pelo Sporting

Há histórias que merecem ser contadas. A vida de Nuno Marques tem momentos incríveis, de uma mudança de Tomar para o Benfica. E tem muitas semelhanças com a vida do filho, que também escolheu as balizas depois de experimentar ser avançado ou extremo. Que também sairá agora de casa para procurar ser feliz num clube longe de casa. Da casa de um homem que sendo português cresceu na politica depois de abandonar o desporto e é hoje vice—presidente de localidade norueguesa que elegeu o português. O que se discute mais em casa, política ou futebol?: «Política, politica…», dizem ambos.

Fazemos a chamada para a Noruega, Nuno atende de imediato. «O Duarte está um pouco nervoso», não está propriamente habituado a dar entrevistas», diz explicando que o filho entende cada palavra do português, mas que prefere responder em inglês, que lhedá mais confiança. Assim fazemos.

Como é a formação na Noruega?

«Muito diferente da de Portugal. Aqui não há o hábito de serem os clubes a tratarem da formação, como fazem em Portugal o Sporting, o FC Porto ou o Benfica. Existem escolas vocacionadas para o alto rendimento desportivo e essa tem sido a minha realidade, como é a realidade de todos os jovens noruegueses. Se tem qualidade? Veja que o país formou o Odegaard, Halland, Portugal tem dois excelentes exemplos… Schjelderup e Aursnes», diz.

Duarte Marques é ainda muito jovem, mas já assinou pelo HamKam, clube histórico do futebol norueguês que compete na I Liga. Até ao verão, enquanto termina o atual ano letivo, continuará a jogar na sua cidade, ao serviço do Snøgg, no quarto escalão do futebol norueguês — um nível competitivo que pode ser comparado ao Campeonato de Portugal. A partir do verão, com o início do ensino secundário, irá integrar o plantel da equipa principal do HamKam, jogando pela equipa B e pelos juniores (sub-19), num contexto de desenvolvimento reconhecido pela forte aposta do clube na formação.

Nuno Marques começa por dizer o que entende que é benéfica nesta mudança: «Sabe, um dos companheiros de equipa do Duarte tem mais de 40 anos, jogou comigo quando aqui cheguei. Ele vai erra algumas vezes, vai aprender, vai mostrar o talento que tem e, acredite em mim, é muito mais que o meu. Mas tenho a certeza que se vai tornar melhor guarda-redes.»

«Resiliência e capacidade de sofrimento»

Duarte não tem medo do desafio, garante que está preparado.

« Sei que é um grande passo na minha carreira, até porque os guarda-redes, normalmente, chegam bem mais tarde às equipas principais. O meu pai diz-me muitas vezes que os guarda-redes têm de ter mais paciência, mais resiliência, mais capacidade de sofrimento do que os jogadores de outras posições. Quando falhamos, não há solução, a equipa sofre. Os outros podem ter falhas graves e não se nota. Ele sempre me disse, se for para o banco, tenho que acreditar sempre que a minha hora vai chegar. É o que farei.»

Numa conversa animada, Duarte sorri e garante que o pai Nuno é um adepto exigente. «São mais as vezes que me corrige do que aquelas que me elogia no final da cada jogo. Mas é normal, ele acaba por ser especialistas, por perceber e dizer-me o que fiz bem e menos bem. Mas é um apoio importante e alguém que a cada momento procura que eu seja melhor, que evolua», diz.

A reportagem nasceu do facto de na Noruega Duarte Marques estar identificado como uma das esperanças do país para o futuro do futebol. Nuno Marques fala com orgulho do que sente serem conquistas importantes, mas o jovem guarda-redes nem pensa duas vezes quando lhe perguntamos se o sonho passa por representar Portugal ou a Noruega.

«Portugal, Portugal, Portugal», diz o jovem. Convidamo-lo para nos contar como seria uma carreira de sonho e a imagem é muito sólida.

«Acredito em mim e nas minhas capacidades. Diria que um caminho perfeito seria um dia jogar no Sporting e depois disso chegar à seleção de Portugal. A ter de escolher nem hesitaria. Evidentemente que escolheria Portugal», começa por dizer.

O futebol dá muitas voltas, a vida dá mais ainda e há cenário que dá que pensar. E se a Noruega o chamar e de Portugal não houver notícias?

«Já pensei nisso e pode muito bem acontecer. O mais natural é eu aceitar, por exemplo se for chamado à seleção de sub-17 de Noruega, mas isso não fecha a porta ao sonho de que lhe falei. Temos muito jogadores que nas camadas jovens representam um país e quando chegam a seniores passam a jogar por outro. Quem sabe se não me acontece a mim também…»

Para encerrar o assunto, uma certeza: «Neste momento não depende de mim. O que depende de mim é ser bom na Noruega para verem que sou bom em Portugal. E é isso que pretendo fazer. Mal me muda no Verão para o Ham-Kam começará a minha luta pela afirmação e tenho muita vontade de triunfar em mais este desafio.»

Nuno Marques concorda com cada palavra e faz sinal de aprovação e tem algo a dizer.

«Se na Federação Portuguesa de Futebol já sabem da existência do Duarte? Acredito que sim, tenho informações que sim. É uma estrutura muito profissional e sinto que um dia a porta pode abrir-se porque o Duarte tem talento. Só precisa ter sorte, também», remata.