Duarte Marques tem 16 anos e em breve jogará numa equipa sénior. Um enorme passo na carreira - FOTO D. R.
Duarte Marques tem 16 anos e em breve jogará numa equipa sénior. Um enorme passo na carreira - FOTO D. R.

Baliza, «o lugar mais solitário do futebol»

Nuno diz que «um guarda-redes só tem intervenção no jogo um minuto e meio» e sente que Duarte sabe bem quando erra

São muitas as semelhanças entre a vida de Nuno Marques e do início da caminho de Duarte. Tal como o pai, sairá de casa em direção a um sonho, por muito que a distância seja complicada de suportar. Tal como o pai, escolheu a posição de guarda-redes, aquela onde mais se pode sofrer.

«É impossível não ver semelhanças», admite o pai. «É preciso ter coragem», acrescenta o filho.

«O lugar mais solitário do futebol, onde o erro pesa mais do que em qualquer outra posição», assume Duarte, ensinamento que Nuno desde cedo lhe passou.

«Veja a quantidade de guarda-redes que passam quase toda uma carreira sentados no banco, a jogar muito raramente. Os treinadores não mudam com frequência de guarda-redes e por isso o fator sorte tem um peso muito grande. Por isso digo sempre ao Duarte que a paciência é muitas vezes tão importante que o talento».

Há muito em que Nuno e Duarte concordam, principalmente na exigência que se coloca a quem está entre os postes. Nesta fase, a estatística a entrar na conversa.

«Num jogo, um guarda-redes está envolvido pouco mais de um minuto e meio. Mas não pode falhar», explica Nuno, que sente que o filho cedo aprendeu esta realidade: «Ele próprio identifica os erros. Já não precisa que eu lhe diga. Pergunto-lhe muitas vezes se continua motivado. Porque isto são anos e anos de trabalho. Se não houver prazer, não vale a pena.»

A resposta é afirmativa, que sim, que sente. E aproveita para falar nos pontos fortes que tem.

«Sinto que o melhor que tenho é a capacidade para sair dos postes. Assim podemos evitar muito problemas. E o jogo de pés também. Ter jogado noutras posições enquanto crescia deu-me essa vantagem e no futebol moderno é cada vez mais importante alguém que está na baliza iniciar os lances de ataque», refere.

«Discutimos mais política do que futebol»

Não se pode dizer que Nuno Marques tenha tido uma carreira impressionante no futebol. Mas foi feliz e foi o desporto que o levou a viver num país que aprendeu a gostar e onde cresceu como alguém que viu reconhecida a capacidade de trabalhar pelo bem comum. No dia 12 de abril haverá eleições na Hungria e quando se fala numa possível derrota de Viktor Orbán, o português vai ser um dos observadores.

Nuno Marques é vice-presidente da uma localidade de média dimensão na Noruega, Notodden, e sublinha que é bom sentir quer as pessoas confiam nele.

«Eu e a minha presidente temos trabalhado muito para que a população tenha as melhores condições de vida possíveis, mas  também nos preocupamos em proporcionar projetos que afirmem a informação e o bem-estar da comunidade. Esse trabalho tem sido incrível», refere.

Nuno Marques tem 45 anos, chegou à Noruega ara jogar futebol e tem hoje um papal relevante na política. De tal forma que aceitou o desafio de José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, de integrar um coletivo de portugueses na diáspora que tenham funções e trabalho feito na política.

«Sabe, aqui em casa discutimos mais política do que futebol. O Duarte é um menino muito interessado com o que o rodeia e com as pessoas. Ele já tem alguma intervenção política e além dos companheiro do futebol recebeu muitas mensagens de vários quadrantes políticos quando celebrou o aniversário. Vou-lhe contar… uma delas foi do próprio José Luís Carneiro», referiu.

Quem mais lhe enviou os parabéns? Hugo Oliveira, treinador do Famalicão, Leno, guarda-redes do Fulham ou Beto, ex guarda-redes da Seleção, do Sporting ou do Sevilha, entre outros. E também da Franco Israel, que também foi guarda-redes do Sporting.