José Mourinho destacou ainda «prestígio» de vencer o Real Madrid e qualificar-se para o 'play-off'

O plano de José Mourinho para a noite perfeita do Benfica

Treinador trabalhou de forma diferente com os jogadores antes do duelo com o Real Madrid

A marcante vitória do Benfica sobre o Real Madrid (4-2), quarta-feira, com o guarda-redes Trubin a marcar de cabeça nos últimos segundos e a garantir a qualificação para o play-off de acesso aos oitavos de final da UEFA Champions League, foi o resultado direto de uma exibição coletiva e individual de excelência. Contudo, o triunfo começou muito antes do apito inicial. Semanas antes, sob a liderança estratégica de José Mourinho, que teve papel fundamental na preparação tática e emocional da equipa.

O treinador do Benfica foi decisivo ao trabalhar o lado mental dos jogadores. Nas semanas que antecederam o duelo com o gigante de Madrid, Mourinho procurou libertar o grupo da pressão e incutir a ideia de que havia muito mais a ganhar do que a perder. O técnico não se limitou ao treino tático — promoveu também momentos lúdicos para reduzir a tensão antes da grande noite europeia no Estádio da Luz.

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Emocionalmente, Mourinho focou-se em inspirar confiança. Cada jogador foi levado a acreditar que podia ser melhor, vencer e marcar a história do clube. Ao mesmo tempo, o técnico preparou o jogo ao mais ínfimo detalhe, estudando minuciosamente as forças e fraquezas do adversário. Alertou para os perigos de cada jogador do Real Madrid e para as respetivas debilidades, sobretudo na transição defensiva após perda de bola.

O plano resultou. O Benfica foi superior na pressão e na recuperação no meio-campo adversário — 34 recuperações contra 29, segundo dados oficiais da UEFA. No ataque, a equipa mostrou-se vertical e corajosa, atingindo números expressivos: 22 remates (16 do Real), 11 enquadrados (contra 6) e vantagem também nos pontapés de canto (6-5). A entrega foi total, com 151,9 quilómetros percorridos contra 141,5 do adversário.

No balneário, reina uma felicidade visível e a sensação unânime de ter sido a melhor exibição da época. O Benfica confirma-se em crescendo, e Mourinho vê o trabalho recompensado — tanto na gestão do grupo como na capacidade de reinventar-se aos 63 anos.

Dedicado como nunca, o técnico passa longas horas no centro de treinos, muitas vezes dormindo e fazendo as refeições nas instalações do clube. Interage com jovens jogadores, vive o ambiente e procura inspirar o grupo. No final do jogo épico contra o Real Madrid, Mourinho não escondeu a emoção e lançou um forte apelo ao respeito.

«Por muito que queiram apagar a minha carreira, não apagam», disse o técnico, apontando aos críticos e colocando depois o foco na equipa que lidera — «Estou superfeliz pelos jogadores. Mereciam muito, fizeram jogo absolutamente extraordinário. Não quero acreditar que amanhã [quinta-feira] não sejam respeitados. Se não forem, é porque as coisas passaram uma barreira indescritível. Apelo a que muita dessa gente neste momento não se esteja a suicidar, não esteja a saltar das varandas, tenham calma porque o Benfica vai perder e vão poder matar-nos outra vez. Mas a única coisa de que gostava era de um bocadinho de respeito pelo Benfica e pelos jogadores.»

Segue-se agora o jogo contra o Tondela para o campeonato, no domingo, e o foco vira no sentido de manter vivo também o objetivo de conquistar o título, no mínimo chegar ao segundo lugar. Também aqui, como na Champions, o Benfica não depende só dele, mas terá de fazer bem a parte que lhe compete.