José Mourinho destacou ainda «prestígio» de vencer o Real Madrid e qualificar-se para o 'play-off'

Os pedidos de respeito, o grandão e o pequenito, a sorte incrível no sorteio e a situação de Schjelderup — tudo o que disse Mourinho

Treinador «superfeliz» pelos jogadores, também miudagem benfiquista que viveu uma noite incrível. Revelou que estava para voltar pela primeira vez ao Bernabéu quando foi convidado para treinar o Benfica

— O que sentiu quando viu Trubin a saltar, a cabecear e a bola a entrar na baliza?
— Já ganhei e perdi jogos e eliminatórias no último minuto, mas nunca com um guarda-redes a fazer um golo fantástico, que até os melhores avançados do mundo gostariam de fazer. A emoção é, de facto, grande, até para mim, que pensava que já teria passado por tudo. Afinal, não. A situação caricata e dolorosa é que faço as substituições do António [Silva] e do Ivanovic para fechar a porta, porque a informação que tinha era de que a vitória chegaria. Deve ter havido um golo em qualquer lado e dizem-me que afinal já não chega. Até os jogadores não perceberam. Trubin não percebia o que estava a acontecer. Quando ganhámos a falta lateral… há que ir com tudo. Disse ao Dahl, o pequenito para ficar atrás, porque pensei: ‘eh pá, se não conseguirmos ganhar por quatro, ganhamos por três e morremos de pé.’ O grandão faz um golo fantástico. Para o Benfica é uma noite fantástica, independentemente do que aconteça no futuro. Já sei que tivemos uma sorte incrível no sorteio: toca-nos o Inter ou o Real. Mas, independentemente disso, é uma noite fantástica e para recordar. Para os benfiquistas mais jovens, para essa miudagem, é uma noite incrível e estou superfeliz pelos jogadores. Mereciam muito, fizeram um jogo absolutamente extraordinário. Não quero acreditar que amanhã não serão respeitados. Se não forem respeitados, é porque as coisas passaram uma barreira indescritível. Estou supercontente pelos jogadores.

— Viveu muitas coisas no futebol. Esta é uma das mais loucas? Abraçou Arbeloa no final. O que lhe disse?
— Pedi-lhe desculpa pela forma como celebrei. Mas o Álvaro é um homem do futebol. Naquele momento, esquecemo-nos de que é o Real Madrid, que é o Álvaro que está no banco, que está o Chendo… esquece-se tudo. Disse-me que não tinha de me desculpar.

— O que pode ganhar a equipa com esta vitória?
— A equipa é a mesma, unida, temos gente que quer trabalhar, que sofre com os resultados negativos, que não desiste, vai até ao fim. Recordo que, antes da quinta jornada, tínhamos zero pontos e faltava-nos jogar com Nápoles, Real Madrid e Juventus. Eles foram até ao fim e fizeram o que lhes pedi — ou matamos ou morremos de pé. Se tivesse ganho 3-2 ou perdido, morria de pé. Ganhámos a possibilidade de ter mais uma noite importante na Luz, mais uma eliminatória contra um gigante. Economicamente, não fará diferença, porque é só mais uma receita de estádio, mas, ao nível do prestígio… imenso. E, eventualmente, com muitas dúvidas, gostaria que os jogadores tivessem ganho um bocadinho de respeito. Só um bocadinho.

— O Benfica foi superior tática e fisicamente. Este Real Madrid pode competir até ao final em todas as competições? Viu um Real Madrid abaixo do que esperava?
— Vi um grande Benfica. Percebo que vocês, de Madrid, analisem os detalhes que vos interessam. Foco-me no Benfica e nos meus. Fizemos um jogo absolutamente incrível. O Real tem jogadores que matam e Kylian matou-nos. O nosso jogo defensivo foi muito bom. Jogámos aqui de forma fantástica contra o Leverkusen e perdemos; jogámos aqui de forma fantástica contra o Nápoles e ganhámos. Este foi o melhor jogo na competição. Contra o Real, se não formos perfeitos, não temos oportunidade de ganhar.

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Schjelderup garantiu a continuidade? A nível pessoal, tem-se queixado de críticas. Esta é uma resposta pessoal aos críticos?
— Não, não sou importante, até porque há coisas que, por muito que tentem, não se apagam. Por muito que queiram apagar a minha carreira, não apagam. Não falo de mim, falo do Benfica, do clube, da equipa, dos jogadores, que não são os melhores do mundo nem os piores. É para eles que gostaria que houvesse respeito e, principalmente, para o Benfica. Sobre o Schjelderup, fala-se muito, mas jogou nos últimos quatro jogos. Titular contra o Real Madrid, Juventus, Rio Ave, jogou no Dragão para a Taça. Pode não ter jogado durante um determinado período, mas acredito que este Schjelderup é melhor do que aquele que encontrei. É um bocadinho mais parecido com o jogador que quero, faz coisas hoje que não fazia. Não podem jogar todos. Alguns têm um limite na evolução, pela idade ou pelo estado de maturação; este é um miúdo que tem um caminho a percorrer. Agora, dizer-se que não joga ou que está à venda… Uma coisa é estar à venda, outra é haver ofertas por ele. É completamente diferente. Se o objetivo do Andreas é ir ao Mundial, é com jogos destes que vai ao Mundial. Não é ir jogar para uma liga mais fraca, para uma equipa mais fraca e jogar mais minutos que se vai ao Mundial. Vai-se ao Mundial fazendo jogos como este e fazendo o que fez hoje. Estou supercontente com o miúdo e com todos.

— Poderá jogar com o Real Madrid ou o Inter. Seria especial voltar ao Bernabéu? Numa eliminatória, o Benfica pode eliminar o Real?
— Real e Inter são dois dos candidatos mais fortes para ganhar a Champions. Nós, não. Perdemos com o Chelsea, mas competimos; perdemos com a Juve, mas competimos; ganhámos ao Real Madrid fazendo um grande jogo. Em dois jogos é mais difícil. Mas futebol é futebol. Estamos a construir uma equipa. E logo veremos. Agora, temos de desfrutar, jogar o campeonato, fazer o que estamos a fazer: ganhar. Se os que estão à frente não perderem pontos, não podemos fazer nada, só continuar a ganhar, que é o que tentaremos. Na próxima eliminatória teremos mais dois jogadores — Rafa e Sidny — que nos dão mais opções. Como se diz em Espanha, vamos a eles e veremos o que acontece. Nunca mais estive no Bernabéu desde que saí. No fim de semana em que ia ao Bernabéu, estava em Barcelona com a minha mulher, mas chamou-me o Benfica. E fui diretamente para Lisboa. Ia pela primeira vez. Quem sabe, volto como adversário.