Ruben Amorim e José Mourinho quando estavam no Sporting e na Roma (Foto: André Alves)
Ruben Amorim e José Mourinho quando estavam no Sporting e na Roma (Foto: André Alves)

A cama de Amorim, a cama de Martínez e a cama de Mourinho

Após o Mundial, sairá um espanhol para entrar um português, que deixará o lugar onde está a um outro português? Parece bem possível. Resta saber se o 'outro português' está livre ou se anda por Barcelos...

uma frase inúmeras vezes proferida, sobretudo por pessoas ligadas ao futebol, sempre que há êxito numa troca de treinadores: os jogadores queriam fazer a cama ao treinador. Talvez seja verdade, mas, na minha infinita ingenuidade, não acredito que um jogador corra x com um determinado treinador quando podia correr x mais qualquer coisa. Ou que remate desenquadrado com a baliza quando podia tê-lo feito de forma enquadrada. De qualquer modo, há coisas estranhas, sim.

Olhemos para o Manchester United. Continua sem arrancar as cinco vitórias que permitam ao pobre do cabeludo rapar a trunfa. Porém, em dois meses e quase meio sem Ruben Amorim, os cordeirinhos viraram lobos: 23 pontos entre as jornadas 21 e 30. Quem fez melhor? Ninguém. O mais próximo é o Arsenal, com 21 pontos. Não há dúvida de que a ‘chicotada psicológica’ está a dar resultado. Pela entrada de Carrick, pela saída de Amorim ou pelos dois fatores?

Após 14 meses em que Ruben Amorim foi implacável na imposição dos três centrais e de alas agressivos, Carrick estancou a hemorragia de maus resultados através, basicamente, da implementação do 4x2x3x1 bem mais fácil, pelos vistos, de assimilar pelos jogadores. Amorim recebeu Heaven (2 milhões de euros) e Dorgu (29) no mercado de janeiro de 2025 e Matheus Cunha (71), Sesko (77, Lammens (21) e Mbeumo (75) no verão de 2025. Total: 275 milhões de euros. Não resultou. O melhor foi a final da Liga Europa perdida para o Tottenham. E, entretanto, ‘despachou’ Garnacho (Chelsea), Rashford (Barcelona), Antony (Bétis) e Hojlund (Nápoles).

A ‘chicotada psicológica’, entre os jogadores, centrou-se no jovem Kobbie Mainoo. Com Amorim nunca foi titular na Premier League e com Carrick (e 1 jogo com Fletcher) passou de apenas 332 minutos até início de janeiro para 874 minutos em 11 jogos. Também Dorgu e Maguire (!) passaram a jogar mais. Ou antes, o dinamarquês passou a jogar menos ‘amarrado’ ao flanco esquerdo e o inglês, ultrapassados os problemas numa coxa, regressou para ser titularíssimo.

Não se sabe, obviamente, o que as oito jornadas finais da Premier League reservam ao United. Terá ainda de defrontar três equipas do top-8 (Chelsea, Brentford e Liverpool), mas, para já, tem confortáveis seis pontos de avanço sobre o 5.º classificado. O que significa que está perto de regressar, em 2026/27, à tão desejada Champions.

A nós, portugueses, talvez interesse mais como chegarão Diogo Dalot e Bruno Fernandes a maio. Mas também ver por onde passará o regresso de Ruben Amorim aos bancos. Talvez o futuro em Portugal venha a ser, após o Mundial, uma espécie de dominó de treinadores: sai um espanhol para entrar um português que cederá o lugar a outro português. Será? Resta saber se o 'outro português' está livre ou se anda por Barcelos...