Quando o recente Benfica-Real Madrid se transformou num jogo de adivinha sobre o que Gianlucca Prestianni tinha dito a Vinícius Júnior, o insulto ‘maricón’ foi apresentado como menos grave do que ‘mono’. Não deveria ser, claro, mesmo que o insulto ‘macaco’ seja evidentemente um substituto para ‘inferior’.
A quantidade de atletas assumidamente homossexuais é muito baixa, mas se alargarmos o especto a toda a comunidade LGBT, as mulheres estão à frente. Assumem-se, mostram-se, casam-se. Veja-se os casos de Marta ou Megan Rapinoe no futebol. No hóquei no gelo, na poderosa NHL, há um caso assumido de um jogador gay, mas quando se olha para o lado feminino, temos Hillary Knight, capitã da seleção americana que se sagrou campeã olímpica nos Jogos de Milão, a pedir a publicamente a namorada, também atleta na equipa de patinagem, em casamento, na véspera do jogo decisivo. Muitas mais vivem livremente a vida pessoal e são exemplo de dedicação profissional.
Nos últimos meses, a série Heated Rivalry (Rivalidade Escaldante) levantou a questão: o que está implicado quando um atleta masculino, num desporto associado à virilidade - ainda que festejos e rituais de balneário impliquem proximidade -, se sente obrigado a esconder a sua sexualidade? Neste mundo imaginado aborda-se a tensão entre a pressão de gerir uma carreira de sucesso e manter uma relação secreta. Foi tal a influência, que os protagonistas saltaram do ecrã e foram convidados a transportar a tocha olímpica em Milão, mas o peso de uma cultura desportiva onde ser gay é um insulto ainda está longe de ser resolvido.
🏑🔥 Olympic Flame + Hudson Williams & Connor Storrie as torchbearers
— Milano Cortina 2026 (@milanocortina26) January 25, 2026
= ABSOLUTE CINEMA 🎬#MilanoCortina2026 #Olympics #TorchRelay2026 #Feltre pic.twitter.com/Np0DHrnAMm
Há muita gente à espera de se sentir vista, ainda um longo caminho a percorrer.