Na frente do Benfica a verdade anda ali pelo meio

O rendimento recente de Ivanovic tem um reverso chamado Anísio, mas compensa o mau momento de Pavlidis e alimenta a discussão relativamente às opções de Mourinho no ataque do Benfica

Com a ajuda de um banco de luxo, pelo menos no que diz respeito ao investimento que implicou, o Benfica lá conseguiu mais um milagre resultadista, agora em Arouca. Uma reviravolta frente à equipa de Vasco Seabra, sustentada numa exibição novamente satisfatória no plano da entrega e da garra — nada a apontar nesse sentido —, mas sofrível, uma vez mais, do ponto de vista da solidez e da clarividência, tanto a nível técnico como tático.

As águias não tiveram José Mourinho no banco, mas ao minuto 73 fizeram de lá saltar quatro jogadores que custaram quase 70 milhões de euros, incluindo Prestianni e Ivanovic, protagonistas do golo da vitória, apontado ao minuto 90+6. O avançado croata, que não marcava para a Liga desde o jogo da primeira volta com o Arouca, confirmou as boas indicações que já tinha deixado frente ao FC Porto, quando assistiu o golo do empate de Leandro Barreiro.

Uma boa notícia para Mourinho, perante a seca de Pavlidis, que já leva mais de 600 minutos sem marcar, e também considerando as exibições de Rafa Silva, que pode ter ainda margem para justificar o regresso à Luz, tendo em conta o tempo que esteve sem jogar, mas que, até por isso, não tem justificado aposta tão insistente do treinador, sobretudo a avaliar pelo rendimento crescente que Sudakov apresentava até ao acerto de contas entre Benfica e Besiktas.

O reaparecimento de Ivanovic tem um avesso, pelo menos se pensarmos em Anísio, salvador despromovido a terceira opção, mas reabre-se a discussão em torno da titularidade na frente de ataque do Benfica.

Talvez não esteja esgotado o crédito de Pavlidis (já a condição física...), mas Ivanovic, embora tenha apenas 22 anos, também merece que se olhe para o passado com consideração. Não tanto na perspetiva do valor que custou ao Benfica, porventura algo inflacionado, mas sobretudo para aquilo que fez na Bélgica, com a camisola do St. Gilloise.

De águia ao peito não será tão fácil vislumbrar espaço para atacar a profundidade, como tanto gosta, mas também não é a jogar a partir de uma ala, como tantas vezes se viu, que o perfil sai favorecido. Ivanovic é um 9, e não teve esse papel assim tantas vezes ao serviço do Benfica. Não sei se será jogador para justificar 22,8 milhões de euros, mas também não acredito que seja assim tão mau quanto já o fizeram querer parecer. A verdade, como tantas vezes, andará algures pelo meio.