O motor magnífico da recuperação do Man. United: qual o impacto de Bruno Fernandes?
A vitória do Manchester United na última jornada por 3-1 frente ao Aston Villa deixou os red devils no terceiro lugar da Premier League com 54 pontos, mais três que os villans, quartos classificados. O triunfo foi o oitavo nos últimos 13 encontros, nos quais se contabilizam mais quatro empates e apenas uma derrota, frente ao Newcastle.
O jogo só teve golos na segunda parte e a história contou com o protagonista habitual dos últimos seis anos. Ao minuto 53, um canto batido por Bruno Fernandes encontrou a cabeça de Casemiro, que abriu a contagem. Barkley empatou aos 64', mas, sete minutos depois, o internacional português voltou a abrir o livro: com um passe sensacional de primeira isolou Matheus Cunha, que, após surfar na onda do 2-1, fez questão de apontar para o criativo, a reconhecer a qualidade do internacional luso.
Sesko fez o 3-1 final, no duelo em que o Portuguese Magnífico, como é conhecido pelos adeptos, chegou às 16 assistências. A alcunha podia ser de um qualquer super-herói de banda desenhada e os feitos, a nível futebolístico, também o são: ultrapassou David Beckham como jogador que mais vezes assistiu numa só época pelo Man. United (o recorde era 15), alcançou as 100 assistências pelo clube de Manchester e tornou-se no terceiro atleta do emblema a alcançar 100 golos e 100 passes decisivos em todas as competições desde o início da Premier League, em 1992/93, a par dos históricos Ryan Giggs e Wayne Rooney.
Os recordes são vários, a distância criativa para os concorrentes é visível (já criou 96 oportunidades de golo no campeonato, mais 40 que Declan Rice, o segundo) e o impacto do capitão é inegável. Mas será possível colocá-lo em números?
Entre ir à Champions ou ir... para a segunda divisão
A correspondência nunca poderá ser direta, porque não se sabe como jogaria a equipa do Manchester United se, em vez de ter Bruno Fernandes, jogasse outro na posição de médio criativo. Marcou ou assistiu 23 dos 54 golos da equipa na Premier League, 43% dos tentos apontados, e as contas, feitas de forma direta, permitem concluir que, entre golos e assistências, o capitão do United contribuiu decisivamente para a conquista de 25 dos 54 pontos da equipa em 2025/26, com remates certeiros ou passes para marcar que fizeram a diferença no marcador em 13 das 30 jornadas dos red devils, sendo que falhou os jogos com Newcastle (1-0), Wolverhampton (1-1) e Leeds (1-1), por lesão.
Para que se tenha uma ideia, o West Ham, que está em 18.º e em lugar de descida, soma 29 pontos. Sem esses 25, o Man. United teria os mesmos que os hammers e que o Nottingham Forest. Em vez de lutar pela presença na UEFA Champions League, estaria a combater para... não descer de divisão.
Números avassaladores do camisola 8 do Man. United, o centro nevrálgico de tudo o que acontece nesta equipa. O futuro não se conhece, ainda que o clube queira a continuidade do capitão, mas aquele que é visto de forma quase unânime como a melhor contratação do clube na era pós-Ferguson tem ainda um objetivo em mente antes de rumar à América rumo à conquista do Mundial 2026. Faltam oito jogos para o fim da Premier League e quatro assistências para igualar o recorde de 20, estabelecido em 2003/04 por Thierry Henry, do Arsenal, e igualado por Kevin De Bruyne, do Manchester City, em 2019/20. Nos últimos oito, serviu sete, o que significa que, se mantivesse o mesmo ritmo, acabaria a competição com 23 passes decisivos. Pulverizar um recorde que dura há 22 anos tem-se mostrado tarefa impossível, mas, com o Portuguese Magnífico, não há cartas fora do baralho.