Rui Borges entende que em caso de vitória o Sporting pode dar um passo importante rumo ao playoff da Champions (Foto TIago Petinga/LUSA)
Rui Borges entende que em caso de vitória o Sporting pode dar um passo importante rumo ao playoff da Champions (Foto TIago Petinga/LUSA)

O medo que que só tem da morte, o continuar a fazer história e o passo importante: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting fez a antevisão ao jogo de amanhã com o LASK Linz, para a Liga dos Campeões

— Depois de duas vitórias importantes diante do SC Braga e do Lens teve de reforçar importância deste jogo frente ao LASK, que será teoricamente mais fácil do que os últimos ?

— É importante manter a ambição e a humildade que temos tido. A teoria para mim não existe até por alguns resultados que temos visto. Equipas fortíssimas têm tido alguns dissabores com resultados que ninguém esperava. Temos de respeitar o LASK. Temos de dar seguimento à sequência de vitórias, sobretudo em nossa casa. Vimos isso no ano passado. Temos de alcançar os três pontos para garantirmos o playoff o mais rapidamente possível. Nos jogos da Champions , mesmo na pesada derrota em Liverpool, não fugiu à sua ideia. É perigosíssima ofensivamente. Eliminou o Celtic da Liga dos Campeões. Resta-nos ser humildes e respeitar aquilo que o adversário tem de bom e menos bom e ir à procura dos três pontos.

— Que guarda-redes jogará amanhã, Kaique ou Rui Silva? Que opinião tem do castigo aplicado a Cristiano Ronaldo?

— Não vou comentar o castigo, pois essas são coisas institucionais da Federação. Os guarda-redes não sabem quem vai jogar. Por isso, não vou desvendar. Nem sabem eles, nem ninguém.

— Luis Suárez pode chegar amanhã ao nono encontro consecutivo a marcar. Ele é cada vez mais imprescindível?

— É importante. Está numa boa fase. Fez uma grande época passada, apesar de não termos alcançado os objetivos coletivos. Começou bem, mas vejo-o focado em ajudar a equipa. Deixa tudo dentro de campo e depois é recompensado pela sua capacidade técnica, tática e de finalização. Sabe que se não der à perna, temos mais dois jogadores para jogar [risos].

— Agora diante duma equipa que jogará mais em bloco baixo do que SC Braga e Lens, que diferenças a recente alteração tática poderá aportar à equipa? Quando pensa que poderá voltar a contar com Debast e Zalazar?

— Sem dar datas, o Debast e o Rodrigo Zalazar estão muito perto de recuperar. O Debast mais do que o Rodrigo. Muito brevemente, devem treinar normalmente com o grupo. O LASK não pressiona alto a toda a hora. Anda muito em bloco médio em 4x4x2, em bloco baixo muda para 5x3x2 ou 5x4x1. É das equipas mais perigosas em ataques rápidos e transições ofensivas. Nos momentos que temos bola, temos de confiar desconfiando. Temos de estar muito equilibrados. Eles são rápidos e fortes no ataque à profundidade. Não fugimos à nossa ideia de jogo no processo ofensivo. Estamos habituados a defrontar blocos baixos e faz parte do crescimento. Temos de saber desbloquear um bloco mais baixo e coeso.

— Com este novo figurino tático em que os extremos são de profundidade, o Flávio Gonçalves acaba por ser prejudicado?

— Foi um bocadinho mais prejudicado, é certo. Mas falei com ele. Vai fazer muitos jogos. Nestes dois jogos, perdeu a titularidade dado as características do jogo e a estratégia. Precisávamos de dois médios diferentes. É um jogador ofensivo que pode desbloquear em alguns momentos os jogos às vezes só com um toque de bola. Vê à frente. Tem de estar focado independentemente de jogar de início ou não. Ele sabe muito bem a confiança que tem do treinador.

— Após a vitória sobre o Lens teve um desabafo a visar alguns jornalistas. Sente que o seu trabalho não é reconhecido?

— Sou muito calmo, às vezes calmo demais. Respeito o trabalho de todos e a crítica. Não quero individualizar, nem meter-me em polémicas. Tenho de saber lidar com a crítica. Porém, não gosto da crítica disfarçada de opinião. Reservo o direito de defender a minha dignidade, carreira, o grupo e o Sporting. Há momentos em que podemos estar mais frio ou menos frio. Quem não se sente não é filho de boa gente.

— Se Kaique for titular neste encontro com o LASK isso significará que haverá uma mudança na hierarquia dos guarda-redes?

— É uma decisão minha. Tenho dois grandes guarda-redes: ele e o Rui Silva. Ambos estão cientes que podem ou não jogar. Dentro das características, o Kaique foi importante no último jogo. Amanhã pode ter coisas diferentes e outras iguais. É uma decisão para tomar amanhã.

— Amanhã estarão aqui em Alvalade alguns olheiros a observar o Luis Suárez. Teme perdê-lo em janeiro? Se ganhar a quem dedicará a vitória?

— A vitória será sempre dedicada aos adeptos e depois ao grupo. É um grande grupo, trabalham imenso e estão focados em serem melhores. Em relação ao Luis, é natural, está a fazer golos e é um grande avançado. Medo de que saia? Só tenho medo da morte porque gosto muito de viver. Faz parte, está a fazer mais uma boa época. Antes dele, também esteve aqui um grande avançado [Gyokeres]. Acredito que não só o Luis será observado.

— O Ibrahima Ba não tem jogado. Isso está relacionado com aquela questão de ter chumbado nos testes médicos no Estrasburgo? Se vencerem amanhã, com nove pontos garantem a qualificação?

— Não garantimos, mas damos um passo importante rumo ao primeiro objetivo de garantir o playoff. Sabemos o quão importante é ganhar os jogos em casa, mesmo perante grandes adversários, à semelhança do que aconteceu na época passada. O Ba está disponível há duas ou três semanas. É uma questão de oportunidade. Não tem lesão nenhuma. Está a 100 por cento acabará por ter essa oportunidade com o tempo. Feliz por tê-lo a 100 por cento.

— Preferiu ter tido esta última semana limpa ou como acontecia anteriomente ter jogado uma eliminatória da Taça de Portugal e ter oportunidade de rodar a equipa?

— Claramente, prefiro assim. Foi uma semana importante para adquirir comportamentos individuais e coletivos, mas também para recuperar de algum cansaço extra de dois jogos importantes e da paragem para seleções. Os últimos jogos foram exigentes e foi importante descarregar este excesso de carga. Entraram muitos jogadores e a continuidade e a repetição de comportamentos são importantes para nos tornarmos melhores no futuro.

— Com Irankunda e Maxi Araújo na ala esquerda, dois jogadores muito ofensivos, esse lado fica mais exposto às transições dos adversários?

— Se olhar para o sistema, em termos de dinâmicas ofensivas, se calhar ficávamos mais expostos em transição antes. Num 4x3x3 mais normal, com dois laterais e dois extremos, estamos mais equilibrados porque os dois laterais não estão tão expostos a toda a hora. Antigamente, o ala vinha por dentro e o Maxi estava muito exposto. Havia maior desequilíbrio. Jogar com dois extremos protege os laterais que nem sempre estão tão expostos

— No último encontro com o LASK Linz , em 2020, o Sporting perdeu por 1-4. Alertou os jogadores para este fator?

— A equipa tem conhecimento do jogo e serve de alerta, mas não olhamos para esse jogo. Já lá vão alguns anos. Esse jogo foi para a Liga Europa e o Sporting tem vindo a cimentar a sua presença na Champions. Estamos focados em cimentar a grandeza a nível europeu. Queremos continuar a fazer história.

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