Prestianni e Marco Silva - Foto: Miguel Nunes
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Que seja infinito enquanto dure, pensarão os benfiquistas...

Talvez nunca nos últimos três anos, como nestes três meses de arranque de 2026/2027, o Benfica tenha dado tanta esperança aos seus adeptos

O enorme Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes completaria hoje, 19 de outubro, 113 anos. Um jovem, portanto. Por outro lado, ninguém me tira da cabeça que, com aquele nome tão longo, seria o parceiro perfeito de João Maria Lobo Alves Palhinha Gonçalves no meio-campo do Benfica.

O poetinha, como lhe chamam no Brasil, fez de tudo na vida: poeta, músico, letrista, ensaísta, diplomata e, sobretudo, boémio. Um pouco como Fredrik Aursnes, outro grande: médio-centro, médio-direito, médio-esquerdo, lateral-direito, lateral-esquerdo, 6, 8 ou 10. Menos boémio, claro. Ou Gianluca Prestianni, o menino de Ciudadela, o homem que faz tudo em campo: poemas, sonetos e baladas, seja à esquerda, à direita ou ao meio. O mais perto de Vinícius que há na Liga.

O nosso Vinícius de Moraes escreveu no Estoril, em 1939, com 26 aninhos, um dos seus versos mais famosos: «Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.» É aqui que quero chegar: Estoril. Onde tudo começou. Para ele e para Marco Alexandre Saraiva da Silva. Não se sabe o que o futuro reserva ao Benfica de Marco. Nem, claro, ao FC Porto de Francesco Farioli ou ao Sporting de Rui Manuel Gomes Borges.

Há, para já, três verdades: o leão está imparável na Europa, o dragão está imparável em Portugal e a águia está imparável a marcar golos e a jogar bom futebol. Os benfiquistas esperam que seja infinito enquanto dure; os sportinguistas e os portistas, posto que pode ser chama, desejam que seja apenas chama.

É aqui, de novo, que quero chegar. Este Benfica, pelo menos o Benfica de julho a outubro, não é samba de uma nota só, como escreveu Vinícius. Nem sequer é samba. É mais tango de Gianluca Prestianni Gross. E de Marco Silva. Fixemo-nos nos últimos três anos. Houve Roger Schmidt, Bruno Miguel Silva do Nascimento (aka Bruno Lage), José Mário dos Santos Mourinho Félix e Marco Silva.

Talvez nunca, como nestes três meses de arranque de 2026/2027, o Benfica tenha dado tanta esperança aos seus adeptos. Está a cinco pontos do intratável FC Porto — e cinco pontos, mesmo a 26 jornadas do final, são muitos pontos. O Benfica, tal como o Sporting, não depende apenas de si para ser campeão. Pode arrancar 26 triunfos até ao final da Liga e, mesmo assim, não ser campeão.

Porém, voltemos a Vinícius. Os adeptos encarnados desejam que este bom futebol do Benfica seja infinito enquanto dure. Porque (empreguemos agora uma máxima futebolística) quem joga bem está sempre mais perto de ganhar. Pode o Benfica deixar de jogar um futebol de encantar já em Nicósia, em dezembro frente ao SC Braga e ao Sporting, ou mesmo nos combates finais de maio de 2027. Porém, Marco Silva fez renascer o que há muito estava adormecido entre os benfiquistas: a esperança.

A esperança que, de novo, perderam os fãs do Manchester United: sete jornadas, uma vitória, quatro empates, duas derrotas. Coitado do Bruno, pá. É fado de uma nota só na triste e cinzenta Manchester.

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