Rui Borges, treinador do Sporting - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Rui Borges, treinador do Sporting - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

O «manto verde», falta de eficácia e objetivo recalibrado: o que disse Rui Borges

A análise do treinador do Sporting ao empate em casa do Aves SAD (1-1), que deixa o leão em terceiro lugar e dependente de... terceiros

Rui Borges assumiu tom irónico quando foi desafiado, em conferência de Imprensa, a comentar a arbitragem do jogo entre o Aves SAD e o Sporting, que terminou empatado e atirou os leões para o terceiro lugar. O técnico dos verdes e brancos admite, também, que o foco tem de virar para a recuperação do segundo posto, embora lembre que a sua equipa já não depende apenas dela própria.

— O que pode dizer sobre o Rafael Nel, que responde à titularidade com um golo? E que análise faz ao jogo?

— É simples, não vou falar na parte individual, mas sim no coletivo. Acho que fizemos um jogo razoavelmente bom para sairmos daqui com a vitória. Tivemos várias oportunidades de golo, o que faltou foi acertar na baliza. Criámos várias oportunidades, não as concretizámos. O Aves SAD acaba por ser feliz num lance que acontece cada vez mais no futebol. Fomos prejudicados nesse sentido. Por isso, não há muito a fazer, é simples. É perceber que não fomos capazes de finalizar da melhor forma as oportunidades que tivemos e saímos penalizados.

— Não é usual, mas vimos o Rui irritado com o árbitro e a dirigir-lhe a palavra...

— É o manto verde a funcionar, simples.

— Este é o resultado que o faz atirar a toalha ao chão na luta pelo título?

— Não é atirar a toalha ao chão, mas uma coisa é certa: já não dependemos de nós para o segundo lugar sequer, por isso é tão simples quanto isso. É focarmo-nos naquilo que temos de fazer para, em primeiro lugar, ficar em segundo. Por isso, não adianta estar a pensar. Claramente o FC Porto fica com a vida facilitada para conseguir o título e a nós resta-nos também estar aqui, olhar e sermos sérios até ao fim. Tentarmos fazer a nossa parte para chegarmos ao fim e conseguirmos, pelo menos, o objetivo do segundo lugar.

— O que é que conduz a este desfecho? Há poucas semanas, o Sporting parecia ter condições para lutar até ao fim pelo título.

— Temos tido muitos jogos de exigência alta e a sobrecarga existe. Hoje [domingo] era impossível não mexer na equipa, até por aquilo que fomos falando nestes dias com os jogadores. Era impossível não haver essa gestão. Têm dado tudo, a equipa deu tudo. Não fomos capazes de conseguir ganhar o jogo, mas é o que é. Nós sabíamos que íamos pagar de alguma forma isso, mas acreditávamos, com confiança total, de que com a vontade e entrega do grupo íamos conseguir ultrapassar. Tivemos aqui dois resultados menos bem conseguidos para o campeonato, também um pouco devido a isso. Tudo o que foram contingências ao longo da época... Nesta fase, em que era necessário termos o plantel na nossa máxima força, temos algumas baixas, o que levou a que nestes jogos de exigência máxima houvesse essa sobrecarga em alguns jogadores. Mas estou totalmente confiante e orgulhoso daquilo que têm feito. Não podem dar mais, deram tudo pela equipa e têm dado tudo. Agora, é claro que não estão como estavam no início ou como deviam estar, mas acima de tudo estão ligados e comprometidos.

— Acredita que faltou alguma velocidade na variação de flanco, nomeadamente na primeira parte?

— Na primeira parte, foi muito lenta a nossa variação. Nós sabíamos que o Aves SAD estava muito baixo e até entrámos bem no jogo, mas foi caindo, ficando mais morto e nós entrámos nesse jogo de bola muito lenta e a bola tinha que andar mais rápida. Na segunda parte, mudou um pouco a dinâmica de centralizar um pouco mais o Debast e puxar o Kochorashvili um bocadinho mais para a esquerda. À direita, com a nossa dinâmica, tentámos acelerar mais na segunda parte, com a entrada do Geny dar mais frescura, mais aceleração. Conseguimos, criámos situações de golo, mas não finalizámos. É muito por aí.

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