Pedro Gonçalves em zona de perigo na área avense. Foto Manuel Fernando Araújo/EPA
Pedro Gonçalves em zona de perigo na área avense. Foto Manuel Fernando Araújo/EPA

O leão funciona a pilhas e elas estão muito fracas (crónica)

Bicampeão deixa de depender de si para ser... segundo! Tremenda quebra nas últimas semanas apenas disfarçada pelo apuramento para a final da Taça de Portugal

O Sporting empatou na Vila das Aves frente a uma equipa já despromovida à Segunda Liga. Sem brilho, deixou o campeonato (ainda mais) nas mãos do FC Porto e o segundo lugar à mercê do Benfica — mesmo que agora vença todos os jogos, incluindo o que tem em atraso, ficará em terceiro se os encarnados fizerem o mesmo.

Era o Sporting quem tinha algo a retirar deste jogo. Pressionado pelo distanciamento em relação ao FC Porto e a aproximação do Benfica, esperava-se um leão bem mais assertivo na primeira parte. É certo que as alterações foram algumas, e boa parte motivadas por lesão, mas tal não parece justificar tamanha expectativa e paciência perante o que o jogo viesse a dar.

O Aves mostra uma natural falta de força anímica, no primeiro jogo que faz depois de se saber despromovido à Segunda Liga. Claro que é sempre motivador defrontar o ainda campeão, aliás dificilmente se imaginará palco mais ajustado para tirar desforço das agruras de uma época menos feliz e tentar provar valor. Mas a vontade não foi suficiente para grandes surpresas, pelo que o Sporting dominou amplamente a posse de bola e os cordelinhos do jogo. Fê-lo, porém, muito longe da baliza de Adriel, com exceção a um brilhante passe de Morita que ia dando golo a Pedro Gonçalves (13 minutos) e a um remate/passe de Trincão que saiu ao lado (36 minutos).

Trincão, na pele de capitão, era a força motriz leonina, mesmo depois de passar do meio para a direita, dando o centro a Pote e a esquerda a Quenda, todos atrás de Nel. Os leões tentavam mostrar-se mexidos, mas ia tudo um pouco devagar. Em cima do apito para intervalo tempo para a polémica, com o Sporting a reclamar falta de Devenish sobre Rafael Nel dentro da área, o VAR a concordar (pelo menos chamou o árbitro) mas Pedro Ramalho a dizer que não. E assim tudo foi a nulos para a cabina.

O reinício trouxe a vantagem leonina, e o rame-rame que se tinha instalado desde o início apontava para jogo decidido. Terá sido o pensamento dos espectadores, terá sido (mas não devia) o pensamento dos jogadores do Sporting. Não foi certamente o do Aves. É certo que continuou sem grande engenho para chegar junto de Rui Silva, mas bastou um lance fortuito e aparentemente inocente para tudo ficar a nulos de novo. Morita (outra vez) com braço na bola ou bola no braço, não interessa, e o último classificado da Liga a chegar ao empate.

Aconteceu isto, porém, aos 66 minutos. Ou seja, meia hora por jogar, mais coisa menos coisa, mais desconto menos desconto. Pouco depois operaram-se substituições e o Sporting passou a jogar com a maioria dos seus jogadores mais importantes, exceto naturalmente os lesionados. Mas Luis Suárez e Maxi Araújo, hoje, não são o Luis Suárez e o Maxi Araújo de há um mês. O Sporting gastou as baterias nas lutas em que se envolveu e trabalha agora a pilhas. Não chega.

O Aves encheu-se de mais brios e acertou o passo ao jogo. Claro que o Sporting foi sendo mais dominante, mas nem por isso muito mais perigoso. E se há registo de oportunidades para o leão, que valem até ao guarda-redes Adriel o estatuto de melhor em campo, não deixaram os donos da casa de criar também as suas. Os últimos minutos foram de jogo absolutamente partido e o Aves enviou uma bola ao poste. Depois Suárez ia regressando aos golos, mas estava lá Adriel.

Se tivesse de haver um vencedor, a justiça mandaria que fosse o Sporting. Mas o futebol não é assim e o bicampeão nacional devia chegar a esta altura das decisões mais ciente de como as coisas se passam.

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