Último jogo de Otamendi no Benfica: vitória por 3-1 em casa do Estoril (IMAGO)
Último jogo de Otamendi no Benfica: vitória por 3-1 em casa do Estoril (IMAGO)

O legado de Otamendi no Benfica: 25 mil minutos, 281 jogos e quatro troféus

Argentino chegou em 2020 por 15 milhões de euros. Capitão pouco tempo depois por ordem de Jorge Jesus. Prometeu defender o Benfica 'até à morte' e cumpriu. Em Portugal, só Ricardo Horta fez mais jogos

A 29 de setembro de 2020, A BOLA fazia manchete com duas simples frases: «Adeus, Rúben; Olá, Otamendi». Vinte e quatro horas depois, o central, ex-Manchester City, cujo passe foi comprado pelo Benfica por 15 milhões de euros, era apresentado por Rui Costa, então ainda apenas administrador da SAD e diretor desportivo das águias. O argentino disse logo ao que vinha: «Defenderei a camisola do Benfica até à morte».

Dias depois, a 4 de outubro, na Luz, Jorge Jesus entregou-lhe a titularidade do eixo da defesa, ao lado de Jardel, que envergou a braçadeira de capitão: 3-2 frente ao Farense. Otamendi, segundo A BOLA, «disfarçou falta de ritmo e rotinas na primeira parte, mostrando-se à altura, com vários cortes de qualidade. Penálti cometido por excesso de dureza (entrada de sola)».

Uma semana depois, em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, André Almeida sofreu uma entorse do joelho direito da qual resultou rotura do ligamento cruzado anterior e do ligamento lateral interno. Jorge Jesus, com base na lesão do lateral, toma uma decisão polémica, mas que se revelaria acertada: Otamendi seria um dos capitães.

E logo a 22 de outubro, no intervalo do jogo com o Lech Poznan, após a saída de Pizzi, foi Otamendi quem passou a envergar a braçadeira, mesmo com Taarabt e Grimaldo em campo, eles que tinham chegado ao Benfica em 2015. Jesus explicou assim a decisão: «Os anos de clube têm alguma importância, mas para mim vale zero. Quando cheguei já estavam escolhidos os capitães, mas sou eu que decido os capitães. Eram cinco, contando com Samaris; saíram Rúben Dias e o André Almeida está lesionado, logo faltam dois capitães. Normalmente escolho sempre um capitão novo em todos os clubes a que chego. Escolhi o Otamendi porque é um jogador com experiência, fala português. Pensei também no Vertonghen, mas não fala português. Então optei pelo Otamendi».

Uma semana depois, por fim, mesmo com Grimaldo e Taarabt no onze e Pizzi a entrar aos 58 minutos, o capitão foi Nico Otamendi.

E seria assim, tantas e tantas vezes, até 16 de maio de 2026, último jogo do argentino pelo Benfica.

Desde que Otamendi chegou ao Benfica, as águias realizaram 331 jogos. O argentino participou em 281. Ou seja, esteve em 85 por cento dos jogos! Por clubes portugueses, entre 2020/2021 e 2025/2026 (seis épocas), apenas Ricardo Horta (SC Braga) fez mais jogos: 295. Gonçalo Inácio (Sporting), Pedro Gonçalves (Sporting) e Diogo Costa (FC Porto), com 258, 238 e 233, respetivamente, completaram o top-5 de mais utilizados.

A fiabilidade de Otamendi no Benfica foi tão grande que apenas 11 vezes em 281 jogos não jogou os 90 (or 120) minutos. Seis épocas no Benfica e nada menos de 25 043 minutos em campo, o que dá uma média de 89 minutos em cada jogo. Esteve suspenso em 17 jogos, não saiu do banco de suplentes em 6 e, por questões físicas, ficou de fora em mais três.

Sai seis anos depois com quatro troféus no bolso: uma Liga, uma Taça da Liga e duas Supertaças Cândido de Oliveira.

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