Mundial
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Espanha apagou as estrelas e chegou ao céu (crónica)
O dia era de celebração para França, desde logo porque vivia o feriado mais importante da Nação, o dia da Tomada da Bastilha, que deu início à revolução francesa. Os bleus partiam como vencedores antecipadas, o anúncio de uma jornada perfeita. Só que Espanha não quis entrar em festas, Luis de la Fuente foi hábil em anular todas as figuras adversárias e ganhando a luta pelo domínio do meio-campo — que exibições portentosas de Rodri e Fabian Ruiz… — partiu para uma vitória merecida e que deixa a La Roja muito perto do título mundial.
A estratégia de Luis de la Fuente resultou na perfeição e, como já destacámos, Rodri e Fabián Ruiz fizeram uma exibição de sonho, ditando o ritmo de uma partida em que a seleção gaulesa pareceu sempre sem soluções para contrariar o futebol pragmático de La Roja.
O jogo arrancou equilibrado, com as duas equipas a estudarem-se. Contudo, essa estabilidade ruiu quando Lucas Digne cometeu um erro infantil na área. Numa abordagem intempestiva, o defesa fez falta para penálti que Mikel Oyarzabal não falhou, inaugurando o marcador com frieza.
TUDO A CORRER MAL...
A partir daí, tudo correu mal à equipa de Didier Deschamps. Como se o golo não bastasse, o azar bateu à porta com a lesão de Saliba, forçando uma alteração precoce que desestabilizou o bloco recuado.
Assim, a superioridade espanhola acentuou-se e, aos 38 minutos, só não foi o 2-0 porque, após uma jogada perfeita do ataque, Fabián Ruiz não conseguiu marcar, falhando o alvo por pouco. Ficava o avisa, o domínio acentuava-se.
Ironicamente, o que devia ser um dia de celebração nacional e união transformou-se numa noite de desilusão futebolística em Paris. De Mbappé pouco ou nada se viu. De Olise, nem um raio de luz. De Dembelé um ou dois remates inconsequentes. E sem estrelas, mais ninguém conseguiu brilhar e o intervalo chegou com o prenúncio de que Espanha estava tão perfeita taticamente que não se previa um segundo tempo muito diferente.
Confirmou-se, no reatamento, a França continuava sem conseguir furar a muralha espanhola e aos 58 minutos, Pedro Porro fez uma tabela perfeita com Dani Olmo e marcou o segundo de Espanha, num remate certeiro perante a passividade adversária.
O desnorte francês era evidente e, aos 60 minutos, surgiu mais uma bola nas costas de Digne: Lamine Yamal fez um golo soberbo, mas este foi anulado por fora de jogo. O pesadelo continuava bem vivo. E nas bancadas já se gritavam uns enervantes olés…
A reação francesa, ténue, sempre muito ténue, surgiu apenas por rasgos individuais. Só aos 66 minutos é que Mbappé fez um remate perigoso que desviou em Cucurella, errando o alvo e apesar do susto, Espanha manteve-se sempre com a bola, a criar perigo e a gerir o ritmo. A perfeição existe e a exibição que leva Espanha à final foi a demonstração disso mesmo.
Na reta final, os franceses tentaram o tudo por tudo. Aos 81 minutos, Unai Simón evitou o golo de Mbappé com uma grande defesa e Doué não conseguiu a recarga com sucesso, atirando por cima.
Já nos descontos, aos 90+5 minutos, Dembélé teve a última oportunidade do encontro, mas o seu remate ficou seguro nas mãos de Unai Simón. Selou-se assim o triunfo inequívoco de uma Espanha taticamente perfeita diante de uma França estranhamente impotente.