Argentinos abraçam Messi após vitória sobre os ingleses - Foto: EPA/WILL OLIVER
Argentinos abraçam Messi após vitória sobre os ingleses - Foto: EPA/WILL OLIVER

Uma lição para o futebol moderno: a equipa acima de todos

Espanha e Argentina vão disputar a final do Mundial. O campeão europeu frente ao campeão do mundo em título e a prova de que ter a melhor equipa ainda compensa (mesmo com menos likes no instagram)

As quatro melhores seleções do mundo jogaram as meias-finais do Mundial 2026, mostrando que os novos formatos e as bonitas histórias que nos proporcionam também podem ter um fim previsível - e, mesmo assim, saboroso.

Pelo caminho ficaram alguns craques, daqueles que vendem mais bilhetes do que países inteiros, e isso poderá ter sido mau para os cofres da FIFA e para as novas gerações, que consomem mais conteúdos de figuras do que torcem por equipas inteiras do princípio ao fim de um jogo. Mas dá um certo conforto a quem continua a ver beleza num 0-0 ao intervalo, com picardias históricas e políticas à mistura, saber que os conjuntos mais afinados ainda tocam a melhor música.

E isto não significa, claro, que Espanha e Argentina vão jogar a final de domingo sem algumas das maiores estrelas mundiais, nem sequer que elas não tenham sido determinantes para que ambas as seleções tenham chegado até aqui. Mas Rodri, por exemplo, foi mais decisivo até agora do que Yamal no jogo coletivo de Espanha, e isso pode ser confuso para quem compara o número de seguidores de um e outro no instagram (spoiler alert: Rodri não tem redes sociais), mas é bastante satisfatório, até para quem admira muito o miúdo Lamine, constatar que quem manda num estilo de jogo como o espanhol, capaz de subjugar aquela França tão poderosa, ainda são os médios.

E Messi, bem, para Messi não há palavras à altura. Foram mais duas assistências para a reviravolta frente à Inglaterra e mais umas quantas decisões e ações que são difíceis de explicar a quem não quer (ou não sabe) ver. A dependência argentina do seu astro é assumida, sem vergonha, mas hoje a equipa de Scaloni não foi só Messi. Foi muita alma, muito querer, muitos pés esticados em qualquer duelo no meio-campo, mas também a inteligência de saber pegar no jogo quando os ingleses pensavam que podia estar ganho. Foi uma equipa, a fazer provavelmente o melhor jogo neste Mundial, e que por acaso ainda tem o melhor jogador.

O campeão europeu frente ao campeão do mundo em título: a final de domingo promete muita qualidade, com dois treinadores com muito mérito nesta caminhada, e certamente haverá mais uns heróis e uns vilões para juntar a outros tantos que fazem parte da história dos Mundiais. Certo é que o futebol ao mais alto nível ainda tem a fundação mais sólida para os adeptos que não precisam de um segundo ecrã para manter o interesse: a equipa está sempre acima de todos. E que belas equipas têm a Espanha e a Argentina, vamoooos!

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