O drama de ex-internacional inglês que perdeu tudo e acabou a dormir no carro
Paul Sampson, antigo internacional inglês de rugny, alega que os efeitos de lesões na cabeça o deixaram financeiramente vulnerável, levando à perda de todas as suas poupanças e a uma situação de sem-abrigo, chegando a dormir no seu carro.
O ex-atleta, que se retirou em 2011, foi diagnosticado em 2023 com síndrome pós-concussão persistente, devido a repetidos impactos na cabeça. Segundo Sampson, esta condição afetou a sua memória e capacidade de processamento, tornando-o um alvo fácil para uma fraude de investimento.
Separado e afastado dos filhos
O drama financeiro começou três anos após o divórcio em 2015 da apresentadora da Sky Sports, Kirsty Gallacher, com quem tem dois filhos, Oscar, de 19 anos, e Jude, de 16. Sampson foi persuadido a investir 450 mil libras (517 mil euros à taxa de câmbio atual) numa empresa em fase de arranque que alegava estar a concorrer a contratos de defesa com o governo inglês, a ONU e a NATO.
«Mostraram-me um vídeo de uma câmara de drone. Disseram que precisavam do dinheiro para contratos da NATO», recordou Sampson ao The Times.
Entre 31 de janeiro e os três meses seguintes de 2019, Sampson realizou cinco transferências para a empresa, utilizando poupanças e um empréstimo dos pais da namorada na altura. O ex-jogador afirma que os diretores da empresa o instruíram sobre como responder a eventuais questões do banco, e que nenhuma das transações foi bloqueada.
Por sua vez, o banco Barclays recusa compensá-lo ao abrigo das regras de reembolso por fraude, argumentando que a queixa foi apresentada tarde de mais, uma vez que só ocorreu mais de seis anos depois da fraude.
Após as três transferências, as tentativas de contacto com os diretores da empresa tornaram-se infrutíferas. Uma investigação posterior revelou que 75 mil libras (86 mil euros) do seu investimento foram imediatamente transferidas para as contas pessoais dos diretores.
A perda financeira teve graves consequências: Sampson deixou de poder pagar a renda, a relação amorosa terminou e viu-se forçado a dormir em sofás em casas de amigos e no próprio carro. Foi durante este período conturbado que decidiu investigar as dores de cabeça que sentia, culminando no diagnóstico de síndrome pós-concussão em 2023.
Nova batalha
Preocupado com a deterioração da sua saúde cerebral, Sampson juntou-se a uma ação judicial coletiva, iniciada em 2022, contra a World Rugby (organização que tutela o rugby mundial), a Rugby Football Union (Inglaterra) e a Welsh Rugby Union (País de Gales), juntamente com mil outros jogadores, profissionais e amadores. Os órgãos dirigentes negam a responsabilidade e estão a defender-se no processo.
Só nos últimos anos comecei a compreender realmente o efeito que a síndrome pós-concussão teve em todos os aspetos da minha vida. Sofro de uma sobrecarga severa em que o meu cérebro não é capaz de processar certos cenários. É difícil de explicar, mas efetivamente ele simplesmente desliga-se. Por essa razão, levei anos para sequer perceber que tinha sido vítima de uma fraude.
O ex-jogador acredita que a esta condição foi explorada pela empresa que o enganou: «Suspeito que é uma vulnerabilidade que as pessoas que me levaram o dinheiro viram em mim imediatamente. Para elas, foi uma oportunidade de me explorar enquanto fingiam ajudar-me.»
Sampson atribui a sua vulnerabilidade à síndrome, embora responsabilize os burlões. «Em última análise, a culpa é das pessoas que conspiraram para me roubar o dinheiro, mas foi a síndrome que lhes permitiu aproveitarem-se de mim», lamentou.
Quase sete anos depois, Sampson continua sem casa e com dificuldades em ver os dois filhos. Trabalha 53 horas por semana num armazém para pagar as contas, enquanto estuda a tempo parcial para um mestrado em psicologia. «Tenho de viver o resto da minha vida tendo perdido tudo e pensar na forma como isso me foi tirado é algo que não desaparece», confessou.
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