Cinto salvou-o de sair projetado pela porta aberta, mas terminou aí a sua carreira de futebolista profissional

«O cinto impediu que caísse do avião, mas estive paralisado, passei um ano a reaprender a andar»

Acidente quase fatal acabou com o jogador e fez nascer o treinador Patrick Videira

— Agora que já está para trás o suficiente para poder falar dele de outra forma, não nos quer contar como foi esse acidente quando voava para Bastia?

— Já passaram 22 anos. Era jogador, estava no Rodez e fazíamos as viagens no avião do presidente. No voo, estava em frente à porta e esta abriu-se. Depois, foi uma situação muito complicada. Estive paralisado e passei quase um ano a aprender novamente a andar. Aconteceram muitas coisas, tive de parar a minha carreira de futebolista profissional, mas isso também me deu a oportunidade de começar mais cedo a de treinador. É a vida, temos de olhar para a frente.

— Então, houve sequelas físicas e não só psicológicas. Porque o Patrick chegou a estar fora do avião, não foi?

— Sim, físicas, físicas. O cinto agarrou-me, impediu-me de cair. Estávamos em cima do mar, a 10 mil metros, depois descemos para 6 mil… Depois, a porta também tinha ficado por baixo do avião e o piloto pediu para na aterragem termos bombeiros porque havia fogo. Pronto, foi uma situação muito complicada, mas faz parte da minha vida. É uma realidade. Durante 13 anos, não viajei de avião, mas hoje está tudo bem, graças a Deus.

— Já viaja outra vez?

— Sim, sou obrigado. Só o Bergkamp é que não apanhava o avião. Não me posso permitir a não fazê-lo hoje. 

— Além dessa abertura para começar a pensar um bocadinho mais como treinador mais cedo, o acidente moldou de certa forma em termos de perseverança, não sei, de uma nova oportunidade? Às vezes, as pessoas encontram razões ainda mais forte para provar alguma coisa…

— Não tinha outra solução. Digo muitas vezes que o futebol é um oxigénio para mim e só sei fazer isto. A minha carreira de futebolista parou mais cedo do que previsto, mas tinha de poder ficar no futebol e queria ser treinador, porque quando era jogador era também muito agressivo, raçudo, gostava de ser o capitão, gostava de poder gerir muitas coisas… Foi uma oportunidade. Hoje, tenho dois filhos maravilhosos, mulher, estou tranquilo e está tudo bem.

— Quanto tempo é que ainda jogou depois do acidente? Esteve um ano parado, não foi?

— Sim, e depois joguei apenas no nível amador, nas quinta e sexta divisões. Já não era o jogador que tinha sido, com a mesma velocidade… Já era diferente, jogava mais para o prazer.

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