«A proximidade que havia em Portugal tenho-a hoje com os meus jogadores»
— Formado no PSG, passou depois como jogador por Portugal, por Chaves, Maia e Ermesinde. Ficou alguma coisa desse tempo passado em Portugal, que o tenha definido no resto da carreira e depois como treinador?
— Foi muito importante a minha passagem de seis anos por Portugal. Tive um treinador quando cheguei, era muito jovem, com 18 anos… Fiz o meu primeiro jogo na primeira divisão no Estádio das Antas frente ao FC Porto… Mas esse treinador era o José Romão, que foi muito importante para mim, quase como um pai. Eu era o mais jovem. Os jogadores também foram importantes, o Quim Machado, o [José] Vieira, o Orlando [Silva] também me ajudaram durante este período. Tinha dupla-nacionalidade, fiz tropa em Santarém. Foi muito bom. Há coisas que vivi em Portugal que tenho de trazer para aqui, como há outras que não quero trazer também.
— Algum exemplo?
— Antigamente, havia coisas… Lembro-me de uma pré-época, em Vidago, no golfe. Era treino às 7, às 10 e às 17 horas, corríamos, corríamos… Antigamente, corria-se muito. Hoje, como treinador, faço tudo com bola. Mas havia muita proximidade com o José Romão e tento ter muita proximidade, muita comunicação com os meus jogadores. Há coisas que não vou transportar, mas outras sim.
— Como treinador, considera-se mais herdeiro da escola francesa, mais física, de transição ou da portuguesa, um bocadinho mais estratégica, se calhar, mais cínica até às vezes?
— Tenho a sorte de ser português e francês, e quero encontrar um equilíbrio nesse tema. Procuro ter a estratégia e ser um técnico tático, mas, ao mesmo tempo, no futebol moderno, precisamos do físico. Também gosto muito do estilo espanhol, com muita técnica e muitos pequenos jogadores. Hoje, vemos o Vitinha, o Neves… E, no meio-campo da minha equipa, tenho muitos jogadores pequenitos também, com muita técnica, capazes de guardar a bola, de meter muita intensidade, de correr muito… É o equilíbrio que temos de encontrar.
— Sendo filho de emigrantes, um dos passos naturais da sua carreira será treinar em Portugal ou quer-se afirmar definitivamente em França e em clubes franceses?
— Seria um erro hoje dizer que só vou treinar em França. É tudo uma questão de oportunidade, como nos tempos de jogador. Os meus pais vivem em Portugal. Sei que é um sonho do meu pai eu treinar em Portugal. Temos de deixar que as coisas aconteçam. Se amanhã tiver a possibilidade de treinar em Portugal fá-lo-ei com muito orgulho e muito prazer.
O meu pai tem o sonho de um dia me ver treinar em Portugal
— O Patrick vem com frequência a Portugal? Tem cá a família, não é?
— Durante a época é complicado. Tento ir sempre uma ou duas vezes por ano. Agora, vou poder ir a Portugal passar uma semana com os meus pais, que são de uma pequena aldeia perto de Chaves, mas também temos uma casa no Algarve, em Portimão…