«Djokovic, Massa e Courtois são assuntos do presidente»
— O seu 3x5x2 ou 3x1x4x2 foi o sistema mais usado por si durante a época. Será para manter durante a Ligue 1? Foi uma situação circunstancial ou é algo que faz parte do modelo?
— Quando cheguei, estava mais para jogar num 4x3x3, mas decidi começar com um 3x4x3. Depois, tinha os alas que defendiam muito pouco, pouca intensidade e falta de físico no meio-campo, com jogadores muitos pequenos… Tinha de trazer um terceiro jogador para o meio-campo. Ao início, foi difícil e depois tivemos de encontrar o sistema e tive de me adaptar aos jogadores, porque temos sempre de nos adaptar aos jogadores. Há dois anos que este sistema está a funcionar bem e seria um erro mudar.
— Mesmo na primeira divisão?
— Sim, porque vou ter de guardar 17, 18 jogadores, que nunca jogaram na primeira divisão. É verdade que também não tinham jogado na segunda… Mas hoje há este equilíbrio, o hábito de jogar neste sistema. No entanto, se amanhã tivermos de mudar vamos mudar. Não podemos ter receio.
— O seu filho Lenny joga na equipa B, vai estreá-lo na Ligue 1?
— Ele treina comigo… É sempre complicado. Em Portugal também houve o caso do Sérgio e do Francisco Conceição no FC Porto. Quando é o nosso filho não queremos fazer ofertas e somos ainda mais duros. No entanto, temos também de encontrar um equilíbrio se ele merecer. Seria com muito prazer, muito orgulho, porque ele gosta muito de futebol, mas é ele que tem de ir, com suor e muito trabalho, à procura do seu primeiro jogo no primeiro escalão.
— O Le Mans tem ganho alguma notoriedade mediática com a entrada do fundo Outfield e de investidores minoritários como Felipe Massa, Novak Djokovic e Thibaut Courtois. Como é que se blinda o balneário a esta pressão mediática?
— Não é fácil, mas disse aos jogadores que aquilo não era connosco, era com o presidente. Nós só tínhamos de nos concentrar com o que se passava em campo. Depois, o dinheiro… As pessoas querem que o clube continue a crescer. Quando cheguei, há dois anos, clube e sócios estavam fartos de estar no terceiro escalão, de onde não saíam há cinco anos. Eles tinham como objetivo subir à Ligue 1 em três anos e nós subimos logo de seguida, ao fim de um ano. Mas é uma realidade… os campos, as máquinas que temos de ter, há muitas coisas que os investidores trazem que faz com que se avance muito rapidamente. Tenho total confiança no que está a ser feito.
— De qualquer forma, se precisar de ajuda para moralizar os jogadores pode sempre convidar o Djokovic para uma sessão ou duas, uma vez que é fortíssimo em termos mentais.
— Eles mandam mensagens de força, para motivar os jogadores. Mas nunca vi o Djokovic ou o Courtois, porque têm torneios e o Thibaut continua a jogar. Agora, o Felipe Massa já veio muitas vezes, tal como o Georgios Frangulis, noivo da Aryna Sabalenka. São bem-vindos! Mas o que me interessa é o que se passa em campo.
— Mas isto não pode tornar o Le Mans no Wrexham francês?
— Uma realidade que o Le Mans vai ter de viver é a exigência do orçamento, porque vamos estar na primeira divisão e o futebol francês não está fácil com o que está a acontecer com os direitos da televisão. Espero que os acionistas possam ajudar o Le Mans nesta parte. Não sei se o Le Mans vai ser ou não um Wrexham, sei sim que não vamos poder rivalizar com o Paris Saint-Germain…
— O Le Mans tem o seu estádio dentro do circuito de automobilismo. Um dia a cidade vai ser mais conhecida pelo futebol do que pelo automobilismo e é luta perdida à nascença?
— É uma luta já perdida. Toda a gente fala de Le Mans, mas das 24 horas, dos carros e das motas. Este ano, tivemos um bocadinho mais de 12 mil pessoas em média no estádio. O nosso estádio é fantástico, tudo novo, tem 25 mil lugares. Espero que para o ano, na primeira divisão, levemos ainda mais gente. Já com os carros e as motos Le Mans fica a abarrotar.
— Vai poder entrar no Parque dos Príncipes, onde fez a sua formação, como treinador de outra equipa. Vai dizer-me que é profissional, mas certamente recordará alguns sonhos em vestir aquela camisola, não?
— Já defrontei o PSG em casa nos oitavos de final da Taça de França. Foi um momento incrível, o estádio estava cheio. Perdemos por 2-0, mas o mister Luis Enrique teve palavras fantásticas para nós. Vai ser um momento especial, claro, mas temos de ser profissionais. E, mesmo que saiba que vai ser muito difícil ganhar lá, vou ter essa vontade. Depois, é o clube em que estive 11 anos e pelo qual torci muitas vezes…
— Qual o perfil de jogador que vai procurar no mercado? Jovens com fome de vencer ou mais experientes para ajudar na luta pela permanência?
— Nunca olhei para o BI. Quero um bom jogador, seja jovem ou não. Estreei dois centrais de 19 anos durante a época. Não tenho medo disso. Se o jogador tem qualidade… Claro que vão dizer assim: «O jovem não tem experiência.» Mas se não o metermos a jogar ele nunca terá experiência. Tenho de ir buscar mais-valias para este plantel. Jogadores que me deem esta sensação de serem mais-valias, seja pequenitos, grandes, velhos, novos, portugueses, franceses, tanto faz.
— Falou em jogador português. Agora tenho de perguntar: está algum português aí na calha?
— O Le Mans é o único clube em que nunca trabalhei com jogadores portugueses. Talvez para o ano… Há empresários que ligam para mim e será com todo o prazer se houver possibilidade de trabalhar com portugueses.