José Mourinho - Foto: IMAGO
José Mourinho - Foto: IMAGO

O apuramento «praticamente impossível» e a exibição do Benfica: o que disse Mourinho

Treinador não deitou a toalha ao chão e prometeu ambição para a última jornada. Abordou a falta de opções, mas mostrou-se satisfeito com a exibição encarnada

É praticamente impossível o Benfica continuar na Champions? 

Mesmo que seja praticamente impossível, o praticamente não é impossível. Mas mesmo que fosse, a cultura que nós temos neste grupo é que, independentemente dos objetivos, quando o Benfica joga, tens que dar o que tens. Tens que jogar com a responsabilidade de ser Benfica e dar o teu máximo. Portanto, não muda muita coisa o facto de ser praticamente ou não ser mesmo possível. Sabemos que é o Real Madrid, sabemos que somos, neste momento, um Benfica com limitações, mas vamos com tudo, como fomos hoje. Temos é que fazer golo. A jogar como nós jogámos, a criar como nós criámos, a dominar como nós dominámos, a ter a coragem que nós tivemos...  temos que fazer golo e ganhar. Quando não fazes golo, abres a porta a poder sofrer, principalmente quando jogas com equipas com jogadores deste nível. 

Estava no banco com o meu olfato de quem tem 1250 jogos no banco e estava a dizer aos meus colegas: ‘Da maneira que o jogo está, se não fazemos, vamos acabar por sofrer’. Vi coisas a saírem mesmo com beleza. Chegamos à segunda fase com grande qualidade, mas depois chegamos aos últimos 20 metros e é difícil fazer golos. É um bom jogo do Benfica, não tenho dúvidas de o dizer mesmo perdendo o jogo, mas para ganhar temos que marcar. 

O Rafa pode ser uma solução para contribuir para os golos? 

Ele é jogador do Benfica? Não. Então não posso responder porque não é jogador do Benfica. O Rafa é jogador do Besiktas e não vou comentar nada sobre ele. 

Correu tudo mal hoje ao Benfica?  

Podem haver análises diferentes da minha, mas eu tento ser honesto na minha análise. O Benfica fez um grande jogo, mas no futebol tens que fazer golos. Há quem faça golos sem fazer muito para os fazer e ganha — já me aconteceu a mim tantas vezes na minha carreira. Tentámos encontrar soluções para combater, mais uma vez, lesões importantes, formámos uma equipa de um cariz diferente. Uma equipa que chega ao Porto e domina, uma equipa que chega a Vila do Conde e domina, uma equipa que chega a Turim e domina... mas tem que se partir a baliza do adversário. E nós não partimos. Não basta jogar bem, tem que se chegar lá e fazer. 

Sentiu que lhe faltavam armas no banco para contrariar as mudanças que o adversário ia fazendo? 

Sem dúvida que sim. O nosso banco tinha o Enzo com um braço, o Manu ainda com alguns problemas, o Bruma que ainda não está em verdadeiras condições para jogar... Depois a linha defensiva: o António Silva preparadíssimo para ser titular, mas depois Neto, Banjaqui com 17 ou 18 anos, Gonçalo Oliveira, Rodrigo Rêgo... O João Rêgo já está num estado diferente, pode-se perfeitamente ver que entra e já domina o habitat, está numa fase diferente. Mas para um plantel como o nosso é muita coisa: o Bah parado o ano inteiro, as lesões... é muita coisa para nós e limita-nos bastante. Mas é o que é. Eu prefiro obviamente ganhar, mas a perder prefiro perder e sair com este sentimento de que os rapazes fizeram tudo aquilo que podiam, do que perder como perdemos com o SC Braga na Taça da Liga, por exemplo. 

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