Felix Bacher teve bastante trabalho perante o poderio físico de Cassiano - Foto: Rodrigo Antunes/LUSA
Felix Bacher teve bastante trabalho perante o poderio físico de Cassiano - Foto: Rodrigo Antunes/LUSA

Baliza não Conté(m) apenas redes: tem ferros (crónica)

Abdu atirou uma bomba à barra, Cassiano também não foi feliz. Canarinhos acordaram bastante tarde

Quando se desperdiçam 45 minutos de jogo... tudo se torna mais complicado. Canarinhos e gansos não quiseram nada com a primeira parte — entenda-se, artistas completamente desinspirados durante esse período — e uma das melhores coisas que aconteceu quando o relógio apontava para as 21h15 foi... o apito para o intervalo.

Porque antes disso, mais propriamente a partir das 20h30 e até esse momento, houve um longo bocejo na Amoreira.

Ricard Sánchez ainda tentou a sua sorte, na sequência de um passe superlativo de Jordan Holsgrove, mas Patrick Sequeira fez bem a mancha (13'). O lateral espanhol estava, porém, em posição irregular, pelo que o lance foi prontamente invalidado e, como tal, esse remate enquadrado do camisola 2 dos estorilistas nem tão pouco pôde integrar a estatística.

O melhor lance — ou pior, na ótica dos gansos — chegaria já aos 42 minutos, quando Korede Osundina ofereceu, literalmente, o golo a Cassiano, mas o experiente ponta de lança brasileiro (e ao contrário do que costuma fazer) desperdiçou... já dentro da pequena área.

Pedia-se um banho de inspiração aos jogadores durante o tempo de intervalo e a verdade é que, sem ser espetacular (muito longe disso), a etapa complementar foi bem mais interessante. Porque ambos os contendores perceberam que aumentando os níveis qualitativos no último terço poderiam ser felizes.

E Abdu Conté só não inaugurou o marcador, aos 57 minutos, porque a barra parece ter... aumentado.

Esse momento (se é que era mesmo necessário...) fez disparar as sirenes na Amoreira. Os visitados sentiram que estavam a colocar-se a jeito de um sábado à noite pouco desejado e ligaram(-se) a sério.

Mas perante uma organização suprema dos gansos — Álvaro Pacheco tem feito um trabalho extraordinário e mesmo quando a equipa não ganha demonstra sempre um processo que tem de ser devidamente relevado —, apenas através de ações individuais é que os estorilistas criaram perigo.

Porém, as tentativas de Yanis Begraoui, Rafik Guitane, Jandro Orellana e Jordan Holsgrove não levaram as medidas certas e golo continuou a ser uma miragem.

Já perto do fim, foi Dailon Livramento a ver Joel Robles ganhar protagonismo, e, na recarga, Cassiano teve a barra como inimiga.

O Estoril desperdiçou a oportunidade de trocar de posição com o Moreirense e ainda pode ser ultrapassado pelo Vitória de Guimarães. O Casa Pia somou mais um ponto rumo ao objetivo: a permanência.

A figura: Jordan Holsgrove (Estoril)
O motor da equipa da Linha. Pelos pés do médio escocês passam grande parte dos lances de ataque, quer seja na primeira fase de construção, ou mesmo já no último terço ofensivo. À falta da criatividade habitual dos da frente, o camisola 10 foi testando a meia distância, mas a verdade é que acabou por nunca ser feliz nas várias tentativas em que ousou ser o protagonista principal.

As notas dos jogadores do Estoril:

O melhor em campo: Abdu Conté (Casa Pia)
Ter pela frente artistas com a qualidade técnica de Rafik Guitane e/ou Yanis Begraoui — a versatilidade de ambos nunca deixa nenhum defensor adversário sossegado — não é fácil, mas a verdade é que o esquerdino não se amedrontou e ganhou muitos dos duelos individuais que disputou. Além disso, ainda tentou dar profundidade ao corredor e só pode lamentar-se... da barra (57').

As notas dos jogadores do Casa Pia:

Notícia atualizada às 23h46