Nova polémica no Senegal pode acabar nos tribunais
A Federação Senegalesa de Futebol encontra-se numa posição delicada após o Estado se ter recusado a pagar os valores devidos a Pape Thiaw, selecionador demitido a 12 de julho, poucos dias após assinar um novo contrato. O governo alega não ter aprovado a renovação, que ocorreu durante o Mundial 2026.
A polémica em torno do contrato de Pape Thiaw, que já tinha marcado a participação dececionante do Senegal no Mundial 2026, ganhou um novo capítulo. Segundo o Sud Quotidien, eclodiu um conflito entre o Estado senegalês e a federação.
A Ministra da Juventude e dos Desportos, Djireye Clotilde Coly, informou a federação, através de uma carta, que o Estado não deu o seu aval para a renovação e aumento salarial do selecionador, negociados em pleno campeonato do mundo. O problema reside no facto de o Estado ser o responsável pelo pagamento e agora recusar-se a liquidar as verbas devidas a Thiaw.
Recorde-se que a campanha dos Leões da Teranga no Mundial foi marcada por problemas de logística e pela incerteza contratual do antigo internacional de 45 anos. Abdoulaye Fall, presidente da federação, revelou que Thiaw ameaçou não viajar para os EUA se as suas exigências financeiras não fossem satisfeitas, sendo necessária a intervenção do chefe de Estado, Bassirou Diomaye Faye, para o demover no dia da partida.
Ainda segundo Fall, a situação atingiu um ponto crítico quando o técnico se recusou a sentar-se no banco no jogo contra a Noruega, sem ter o novo contrato assinado. «O contrato foi assinado na véspera do jogo contra a Noruega, depois de Thiaw se ter recusado a sentar-se no banco», acrescentou o presidente da federação.
De acordo com o Sud Quotidien, o novo vínculo de três anos previa um salário mensal de cerca de 45.700 euros, um prémio de assinatura de 183.000 euros) e uma percentagem de 1% sobre os prémios da FIFA atribuídos à seleção. O contrato incluía ainda uma cláusula de rescisão no valor de oito meses de salário, equivalente a 365.000 euros.
Com o impasse entre a federação e o Ministério dos Desportos, resta saber se a federação assumirá o pagamento. A imprensa senegalesa avança que, caso o braço de ferro continue, o conflito poderá acabar por ser resolvido nos tribunais.