Em fim de tarde/noite de muito nevoeiro em Vila do Conde, o resultado 3-3 só podia mesmo ter sido possível graças à boa iluminação junto às balizas - Foto: Rio Ave
Em fim de tarde/noite de muito nevoeiro em Vila do Conde, o resultado 3-3 só podia mesmo ter sido possível graças à boa iluminação junto às balizas - Foto: Rio Ave

Caravela nunca deixou de perseguir a luz da Estrela (crónica)

Emblema rioavista esteve três vezes em desvantagem, mas jamais desacreditou. Mesmo com menos um jogador (Nelson Abbey abandonou o encontro por lesão), vila-condenses foram atrás do resultado e resgataram um precioso ponto

Qual farol, qual quê… A luz que devolveu, finalmente, o Rio Ave ao caminho dos pontos foi a da Estrela. Tendo estado três vezes em desvantagem, os nortenhos foram atrás do seu norte e, três jornadas depois, voltaram a pontuar.

Os tricolores, por seu turno, continuam a não saber perder no campeonato e, na noite de ontem, percebeu-se porquê. A equipa orientada por Pepa não faz cerimónias para marcar e foi respeitando essa idiossincrasia que inaugurou o marcador aos 21’, numa bela jogada individual de Ianis Stoica

Os anfitriões reagiram bem e conseguiram criar algumas chances junto à área forasteira. O golo — justo — surgiu num pontapé de canto, mesmo em cima do descanso (45+3'), por Pancho Petrasso

O tento do empate chegou na melhor altura para os rioavistas. Ainda assim, foi a turma do Sul que se voltou a adiantar na etapa complementar. Abraham Marcus marcou, com muita ajuda de... Van der Gouw. Daquele que parecia um remate de defesa fácil, saiu o 1-2. O nigeriano rematou rasteiro pela direita e o guardião, sem mãos firmes, deixou entrar (53’).

Mas, logo a seguir, faltou igualmente firmeza (56’) na baliza contrária, quando Roland Galcík chutou de fora da área de pé esquerdo e fez golo com o especial contributo do guardião Leo Linck.

Foram dois lances em que os guarda-redes podiam (e deviam!) ter feito mais. Pelo menos, naquela fase, podiam desculpar-se com o muito nevoeiro que se entranhou pelos Arcos no segundo tempo — e aí, sim, agradecia-se o farol tão (lamentavelmente) desconsiderado no início desta crónica…

Porém, mesmo com visibilidade reduzida, não deixou de faltar sinalização para o caminho da baliza. Aos 61’, Abraham Marcus voltou a faturar, aparecendo ao segundo poste a finalizar uma jogada de Ianis Stoica pela esquerda. 

Pela terceira vez em busca do prejuízo, Sotiris Silaidopoulos esgotou as substituições aos 68’ e… 30 segundos depois ficou a jogar com dez, depois de o recém-entrado Nelson Abbey se ter lesionado sozinho na primeira arrancada.

Foram mais de 20 minutos de resiliência compensados com um golo de Blesa aos 79’, num penálti que resultou de um lance polémico e que mereceu muitas queixas por parte dos da Amadora — desde logo, porque começou num lançamento marcado muito à frente do local onde a bola tinha saído...

A figura do Rio Ave: Roland Galcík

Entre a névoa, o eslovaco funcionou com um D. Sebastião, devolvendo a esperança à sua equipa, assim que saiu do banco (resultado em 1-2). Não demorou muito em cumprir com o que lhe foi pedido: três minutos depois marcou um golo de pé esquerdo num tradicional movimento da direita para o meio. O irrequieto já mostra que a sua contratação neste mercado não foi nada em vão.

As notas do Rio Ave: Van der Gouw (4), João Tomé (4), Petrasso (5), Simón García (4) e Pedro Amaral (4); Ntoi (5) e Nikitscher (5); Clemmensen (5), Miguel Patrício (5) e Diogo Bezerra (5); Blesa (6); Roland Galcík (6), Tamble Monteiro (5), Sellouki (5), Vrousai (4), Nelson Abbey (-)

O melhor em campo: Abraham Marcus

Que o frango de Van der Gouw não tire mérito ao tento que o nigeriano apontou ao minuto 53’. Só quem remata marca e o extremo tem sempre a mira apontada à baliza. Sem precisar de qualquer ajuda alheia (só mesmo da do colega Ianis Stoica), Abraham Marcus comprovou-o, quando voltou a faturar aos 61’.  Com este bis, o avançado chega aos quatro golos em seis jogos nesta época.

Sotiris Silaidopoulos, treinador do Rio Ave

«Foi difícil jogar meia hora com menos um jogador, mas tivemos muita personalidade e demos tudo. Estou muito orgulhoso pelo compromisso da minha equipa, fomos três vezes atrás do resultado e isso diz muito sobre a nossa resiliência.»

Pepa, treinador do Estrela da Amadora

«O lance do penálti é surreal. Há coisas que não consigo entender. Tiraram-nos dois pontos. Com tanta tecnologia, não é admissível, mas não estou a tirar mérito ao Rio Ave, foram bravos. Houve duas equipas competentes, mas só duas...»

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