Rui Costa abordou o mercado do Benfica à margem da apresentação do lançamento do Benfica Institute for Sport Excellence. FOTO: Miguel Nunes/A BOLA
Rui Costa abordou o mercado do Benfica à margem da apresentação do lançamento do Benfica Institute for Sport Excellence. FOTO: Miguel Nunes/A BOLA

Campeões de pré-época

A partir de quinta-feira há uma premissa que muda para o Benfica, mas ninguém deve estar num estado eufórico ou depressivo entre Luz, Alvalade ou Dragão

Há uma crónica ideia de que o Benfica é crónico campeão de pré-época. Uma ideia assinada pelos adeptos rivais, derivado dos valores que, por norma, os encarnados colocam em cima da mesa no mercado, pelas primeiras páginas dos jornais e horas de comentário que uns merecem e outros nem tanto.

Uma ideia alimentada até por partes das estruturas desses mesmos rivais, por comparação, mas aos quais às vezes dá jeito também passar por «debaixo do radar». Veja-se a venda de Francisco Trincão que tanta atenção mereceu dos adeptos leoninos pelo valor da mesma.

Há uma certa verdade, porém, nessa ideia. Para seu bem e para seu mal, o Benfica tem uma mediatização maior que FC Porto e Sporting. É uma questão de números, simplesmente, sustentada em dados de consumo.

Essa ideia, porém, ficou à porta nesta pré-temporada. Porque o Benfica jogou pouco, em quantidade de jogos e qualidade na maioria dos 180 minutos em que o vimos em campo, porque apresentou poucos reforços até agora e porque o Sporting e o FC Porto estão no seu oposto, quer no mercado quer em campo.

Pode dizer-se que é questão de planeamento - já aqui elogiei o do leão, por exemplo -, e que por aí haverá espaço a uma crítica justa à gestão do Benfica. Mas tal como lembram adeptos leoninos e portistas a ca ilusão encarnada, não há campeões na pré-época.

Os 7-0 do Sporting com quatro reforços a marcarem são um ótimo ponto de partida, mas o mercado não se analisa na pré-época, nem nenhuma equipa dá garantias em julho de que terá sucesso em maio do ano seguinte. O Sporting, por exemplo, corre até um risco de uma remodelação de plantel quase sem precedentes. Assumido, sim, mas ainda assim um risco. Tal como é um risco contratar um jogador que nos últimos anos foi mais notícia pelos autogolos fora de campo do que golos dentro dele. Jhon Durán tem o passado que tem, pode ser um risco caro, mas também tem um potencial enorme. Na realidade, há maior risco onde? Em contratar um ponta de lança problemático ou mudar o coração, tronco e membros de uma equipa?

Não há campeões de pré-época, nem derrotados à partida. Não deve haver euforia no Sporting, nem depressão no Benfica. A partir desta quinta-feira, uma premissa muda nos encarnados. E aí, sim, começarão a valer as análises. Até lá, silly season…para o bem e para o mal de todos em geral e nenhum em particular.

A iniciar sessão com Google...